A Paróquia

Pastorais e Movimentos

Catequese

Catequese para a 1ª Eucaristia

1 – Estrutura

A Catequese é um processo de educação comunitária, permanente, progressiva, ordenada, orgânica e sistemática da fé. Visa a maturidade da fé, num compromisso pessoal e comunitário. A catequese para a 1ª Eucaristia da paróquia conta com 12 catequistas e 3 coordenadoras.

Quando se reúne: Os encontros acontecem nas quartas-feiras, às 9h, 17h e 19h. A formação das catequistas está confiada ao Padre Dalmo e acontece uma vez por mês.

Coordenação: Bernadete Barros, Luzedna Pinto Coelho.

2 – Princípios e conceitos

(baseados em Catequese Renovada – orientações e conteúdo – CNBB – 15/04/83)

Catequese, que deriva de um verbo que significa fazer ecoar (Kat-ekhéo), tem por objetivo último fazer escutar e repercutir a Palavra de Deus.

A Catequese é um processo de educação comunitária, permanente, progressiva, ordenada, orgânica e sistemática da Fé. Visa a maturidade da Fé, num compromisso pessoal e comunitário de libertação integral, que deve acontecer já aqui e culminar na vida eterna e feliz.

A Catequese faz parte do ministério da Palavra, é um aspecto ou momento da evangelização. A fé sempre é vivida e transmitida dentro de uma comunidade: por isso a Catequese é obra de toda comunidade.

A exigência primeira e fundamental da Catequese é a fidelidade ao plano de Deus que se revela, e fidelidade ao movimento pelo qual Deus entra na História dos homens e nela se encarna, pelo seu Filho.

Fidelidade à Revelação significa encontrar nela a sua fonte. É às águas da Revelação divina que a Catequese conduz os homens, para aplacarem sua sede de verdade e de vida.

A Catequese deve haurir seu conteúdo na única fonte da Revelação divina, utilizando sabiamente a Escritura e todos os outros testemunhos da Tradição viva da Igreja, que fazem chegar até nós as águas vivificantes da Revelação.

A Catequese deve manifestar a unidade do plano de Deus, a unidade profunda que existe entre o projeto salvífico de Deus realizado em Cristo e as aspirações do homem; entre a Igreja, Povo de Deus, e as comunidades temporais; entre os dons e carismas sobrenaturais e os valores humanos.

Ela é chamada a levar a força do Evangelho ao coração das culturas, isto é, não somente a encarná-la na história pessoal de cada homem, mas também na própria História da humanidade.

Não se vive a fé apenas individualmente, mas em comunidade; a fé do cristão cresce na medida em que ele caminha com a comunidade na busca e cumprimento da vontade de Deus. Isto exige uma atitude de constante conversão, e por isso ela é a primeira opção de toda a comunidade eclesial. A Catequese existe em função dessa conversão e permanente crescimento na fé.

A Catequese é não apenas uma instrução, mas um processo dinâmico e abrangente de educação da fé, um itinerário.

O mundo hoje

A sociedade está marcada pela massificação, anonimato, pelo impacto dos meios de comunicação, consumismo, libertinagem moral, violência coletiva e desigualdades sociais chocantes, o que exige, de modo novo e radical, a segurança da pessoa no abrigo de uma comunidade menor, onde possam ser vividos os valores do relacionamento interpessoal.

Esta sociedade, marcada também pelos ateísmos práticos e teórico-militantes, por diversos tipos de neopaganismo, por formas fanáticas e sectárias de religiosidade de origem recente e pelo indiferentismo religioso, precisará de um tipo de Catequese que, além de uma sólida fundamentação da fé, seja capaz de ajudar o cristão a converter-se e a comprometer-se no seio de uma comunidade cristã para a transformação do mundo.

Princípios da Catequese:

1º Lugar e atenção especial à Sagrada Escritura.

2º Respeitar natureza e o espírito da Revelação bíblica. Tem de ser impregnada e penetrada pelo pensamento,espírito e atitudes bíblicas e evangélicas, mediante contato assíduo com o texto sagrado; deve ler os textos com a inteligência e o coração da Igreja e se inspirar na reflexão e na vida duas vezes milenária da mesma Igreja.

3º Entrega do Evangelho (traditio Evangelii). Deve abrir ao catequizando o livro da Sagrada Escritura, que tem por centro o Evangelho. Favorecer uma leitura interessante, viva, com acesso direto aos textos, ajudando a compreensão da mensagem como o Magistério da Igreja a interpreta.

4º A iniciação à leitura da Bíblia, na Catequese, deve levar compreensão da Palavra proclamada e meditada na Liturgia. ALiturgia é fonte inesgotável de Catequese, mas para ser bem compreendida e participada, exige Catequese de preparação.

Domingos, Advento, Natal, Quaresma, Páscoa etc. podem e devem ser ocasião privilegiada de Catequese, através de orações, reflexão, imitação dos santos, e descoberta não só intelectual, mas também sensível e estética dos valores e das expressões da vida cristã.

Credo ou Símbolo Apostólico. Constitui ponto de referência seguro para a Catequese. Junto com o Pai-Nosso, a Ave Maria, os Dez Mandamentos e outros textos bíblicos e litúrgicos, o Credo éindispensável para que o cristão possa expressar sua fé e louvor a Deus junto com a comunidade. Ele deve ser memorizado e aprofundado.

6º A Catequese presta atenção às condições concretas das pessoas e grupos, e também alimenta seu conteúdo na história da Igreja, na vida dos santos, no sensus fidei do povo cristão, na religiosidade e devoções populares.

Para a Catequese estão indissoluvelmente unidos:

— o conhecimento da Palavra de Deus,

— a celebração da fé nos sacramentos,

— e a confissão da fé na vida cotidiana .

O conteúdo da Catequese deve ser unitário, orgânico e integral.

1º — A unidade do conteúdo se faz ao redor da pessoa de Jesus Cristo. É o CRISTOCENTRISMO.

Cristo deve aparecer na Catequese como chave, centro e fim do homem, bem como de toda a História humana (GS 10), e que a adesão à sua pessoa e à sua missão, e não só a um núcleo de verdades, é referência central de toda a Catequese.

Na apresentação de temas ou na vivência de experiências particulares a Catequese deve evidenciar sua relação com o centro de tudo, Cristo.

2º — INTEGRIDADE do conteúdo. Deve levar a penetrar plenamente no mistério de Cristo, apresentar integralmente sua mensagem.

3º — HIERARQUIA DAS VERDADES. Algumas verdades se fundam sobre outras mais importantes e são por elas iluminadas.

4º — ADAPTAÇÃO. A integridade do conteúdo deve ser comunicada em linguagem adequada, embora o significado e o sentido profundo permaneçam os mesmos.

A Catequese deve refletir as dimensões da história da salvação: acristológica, a eclesiológica e a escatológica.

A dimensão cristológica não pode ser separada da dimensão trinitária, o mistério de Cristo se compreende em relação com o mistério do Pai e do Espírito Santo.

Nossa comunicação com Deus Pai, pelo Filho, no Espírito, se reveste de dois aspectos principais: bíblico e litúrgico.

Na dimensão eclesiológica, podemos destacar os aspectoscomunitário, vocacional, missionário, ecumênico…

Se considerarmos a pessoa do homem na História, podemos ressaltar as dimensões antropológica, existencial, histórica, política, libertadorada Catequese. Pode-se falar também em dimensão permanente da Catequese, que abrange todas as fases e ambientes educativos da vida e as etapas da educação da fé.

1º — nem todas as dimensões têm o mesmo valor e a mesma importância: umas são fundamento e outras são conseqüências;

2º — cada comunidade ou catequista deve verificar se dá a devida acentuação a cada uma das dimensões essenciais.

Catequistas devem consagrar tempo ao estudo dos métodos mais adequados, evitando o empirismo, improvisação, desleixo. Obedecer ao princípio da interação (um relacionamento mútuo e eficaz) entre vida e fé; entre a vivência atual e o dado da Tradição.

Paulo VI escreve: A Evangelização não seria completa se não tomasse em consideração a interpelação recíproca que se fazem constantemente o Evangelho e a vida concreta, pessoal e social dos homens.

Por não situar-se numa posição de justo equilíbrio, alguns têm caído no formalismo e outros no vivencial, sem apresentação de doutrina.

João Paulo II: A Catequese autêntica é sempre iniciação ordenada e sistemática à Revelação que Deus faz de si mesmo ao homem em Jesus Cristo; Revelação esta conservada na memória profunda da Igreja e nas Sagradas Escrituras, e constantemente comunicada por uma tradição viva e ativa, de uma geração para a outra. E tal Revelação não está isolada da vida, nem justaposta a ela de maneira artificial. Mas diz respeito ao sentido último da existência, que ela esclarece totalmente para a inspirar e para dela ajuizar criticamente, à luz do Evangelho (CT 22).

O processo de educação permanente da féda Catequese deve levar a comunidade cristã, as crianças e jovens:

— em face de uma sociedade baseada no neo-positivismo e no ativismo, a aprender o senso do mistério e o gosto pela oração e pelo silêncio;

— em face da sociedade que tudo relativiza e apresenta como valor o que não o é, a aprender a ter senso crítico;

— em face da sociedade competitiva e de consumo, a aprender a viver o senso da simplicidade, da gratuidade, a disposição de compartilhar;

— em face da sociedade repressiva, a aprender a criatividade, a coragem empreendedora, a compreensão e o perdão;

— em face da sociedade massificante e escravizante, a aprender a liberdade, a responsabilidade, que permitirão superar o egoísmo, a rotina, o vazio, a manipulação, a exploração;

— em face da sociedade pluralista, invadida por todo tipo de movimentos religiosos e ideológicos, a aprender a dar razões de sua identidade cristã-católica e de sua esperança.

Aprenderão, enfim, na experiência com o Senhor Jesus e na vivência da comunidade, os valores propostos nas Bem-aventuranças.

 

A COMUNIDADE CATEQUIZADORA

Na Igreja primitiva o ensino da Doutrina dos Apóstolos está unido a uma vivência comunitária, à liturgia e a uma prolongada iniciação à vida cristã em diversas etapas.

A Catequese empenha-se num processo permanente por etapas sucessivas, que leve a conversão, a fé em Cristo, a vida em comunidade, a vida sacramental e o compromisso apostólico. Deve promover a integração da caminhada da comunidade cristã com a mensagem evangélica.

A caminhada na educação da fé deve durar a vida toda. A Palavra nos chama sempre de novo para a mudança de vida e para a construção do Reino de Deus na vida pessoal, na comunidade e no mundo.

Numa caminhada de comunidade vários elementos estão presentes e interagem: a união entre os membros, a abordagem da realidade, a vida eclesial e a explicitação da fé, que crescem e caminham quando a comunidade caminha. Cada comunidade tem sua história, própria que deve ser respeitada.

A Catequese organizada deve levar pessoa e comunidade:

–          a ver os sacramentos como celebração da presença de Jesus na comunidade e compromisso com o Reino;

–          a ver a ação do Espírito Santo que transforma, renova e envia sua Igreja, instrumento de salvação, para a construção do Reino de Deus;

–          a ter consciência do pecado (Afasta-te de mim que sou pecador);

–          a ter consciência da missão que Deus lhe dá e que lhe supera as forças (Vem, eu te farei pescador de homens);

–          a ter certeza de que Cristo vive no cristão (Não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim);

–          à descoberta de Cristo no irmão, pela prática concreta da caridade (O que fizestes a um desses mais pequenos, é a mim que o fizestes).

A fé da comunidade suficientemente adulta manifesta-secomo adesão total a Cristo. A vida eclesial adquire dimensões mais profundas. As celebrações se tornam expressões da Aliança com Deus Salvador, que nos fez salvadores com ele.

Assumindo serviços e ministérios na comunidade, os cristãos descobrem mais profundamente a importância do ministério dos Pastores. Tornam-se missionários, porque o Evangelho e sua realização constituem para todos os cristãos a razão de viver.

Em todos os passos, o Senhor caminha com sua comunidade e a precede. O último passo será a consumação, no fim dos tempos, quando a união chegar, pela força e presença de Deus, a ser plena comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. No Reino definitivo de Deus, a realidade será transformada em novos céus e nova terra. A vida eclesial será o Paraíso, e já não será necessária a explicação da fé. Sabemos que, quando ele aparecer, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal qual ele é (1Jo 3,2).

A Catequese se faz ao longo de toda a caminhada da comunidade. Nela se aprofunda a experiência do Deus vivo que caminha com seu povo e o conduz à salvação.

O ideal comunitário poderá assim tornar-se cada vez mais presente, ao menos como perspectiva e esforço. De fato, a comunidade é condição indispensável para uma Catequese permanente.

3 – Conteúdo da Catequese

Deus, para se comunicar com os homens, adotou duas linguagens que se completam mutuamente: a das palavras e a dos gestos ou acontecimentos.

Deus não comunica apenas alguma verdade ou alguma lei: Ele comunica a si mesmo, sua presença, seu amor. Deus não quer fazer isso separando as pessoas, mas unindo-as, constituí-las num povo, que o conheça e o sirva santamente. É sempre ao povo que Deus se dirige; é sempre numa ligação com a comunidade que a pessoa é chamada e chega à fé em Deus.

A expressão mais alta, absolutamente única e definitiva da comunicação de Deus à humanidade, é Jesus, o Cristo. Nele, Deus não se limita a manifestar algo de seu Amor. Deus se dá a si mesmo. Jesus é a encarnação, na natureza humana, do Verbo. É a própria Palavra de Deus feita carne (Jo 1,14).

Jesus Cristo – a plenitude da Revelação – se torna para os homens de todos os tempos caminho, verdade e vida (Jo 14,6). Só por ele se vai ao Pai. Jesus revela o Pai através de palavras que estão estritamente unidas à sua encarnação, vida, e especialmente sua morte e ressurreição. O sentido desses fatos se torna acessível pelas próprias palavras de Jesus, que compreendemos com a ajuda do Espírito Santo e da Igreja.

Jesus deve tornar-se contemporâneo e companheiro de todos os homens: é esta a tarefa que se realiza através doEspírito Santo que atua na Igreja. Deus continua mantendo permanente diálogo com a comunidade cristã e o Espírito Santo faz ressoar na Igreja e no mundo a voz viva do Evangelho, conduzindo os fiéis para a plenitude da verdade (Jo 16,13).

A experiência do Espírito na comunidade cristã é inseparável da memória de Jesus, e quer conduzir a vida e fazer crescer a fé do Povo de Deus, mas se volta também para o futuro, para a plenitude da verdade, fazendo progredir a compreensão tanto das realidades como das palavras confiadas à Igreja.

O que Jesus deixou foi, antes de tudo, uma comunidade viva, a Igreja, como uma carta, entregue aos cuidados doministério, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne, nos corações! (2Cor 3,3).

Nesta comunidade se conservam as palavras de Jesus, os sacramentos, a oração que ele ensinou, a liturgia que se vai enriquecendo aos poucos com as expressões das várias culturas, as diversas manifestações da fé e da caridade cristã, que originam diferentes modelos de santidade, espiritualidade, transformação cristã da civilização e da cultura.

A comunidade cristã une dois aspectos: 1) de um lado, ela se mantém fiel à sua origem, ao que recebeu de Cristo e dos Apóstolos; e, 2) simultaneamente progride na compreensão da doutrina, na vivência da caridade e na edificação da sociedade, mantendo vivo e eficaz o Evangelho.

Acolher a Palavra, aceitar Deus na própria vida, exige conversão e seguimento. A fé é seguir o caminho de Jesus, é o programa que nos propõem os Evangelhos, o roteiro ideal da caminhada de todo discípulo.

Não é só uma adesão intelectual, um conhecimento da doutrina: é uma opção de vida, uma adesão de toda a pessoa humana a Cristo, a Deus e a seu projeto para o mundo.

A aceitação e o seguimento de Jesus são opção profundamente pessoal. Ao mesmo tempo, porque a pessoa se realiza no relacionamento e no amor, o seguimento realiza-se na comunidade fraterna. Seguir a Jesus é juntar-se, fraternalmente, aos outros discípulos.

A fé cristã é missionária. Quem foi escolhido recebe uma missão: pregar o Evangelho, anunciar Jesus, revelar o amor do Pai pela humanidade. Mas o amor de Deus exige o amor fraterno, a comunhão e participação nesta terra, o empenho na libertação do homem.

A comunidade cristã celebra todos os aspectos da existência cristã através da liturgia, especialmente na celebração eucarística, onde adquirem outra dimensão, ou manifestam mais claramente uma dimensão profunda da fé: a adoração, a entrega ao Pai, em comunhão com o seu Filho e nosso Salvador Jesus Cristo, pelo Espírito Santo.

O papel da mediação entre Deus, que se revela em Cristo, e o homem, cabe à Igreja: fidelidade a Jesus Cristo, à Igreja, ao Homem.

Os três temas são mutuamente implicados. Cristo ilumina o mistério do Homem; a Igreja só se entende como caminho da realização do Homem em Cristo. Não há fidelidade a um sem fidelidade aos outros.

Nossa preocupação se dirige principalmente à integridade e à autenticidade evangélica do conteúdo formulado como resposta aos anseios dos homens de hoje.

TEMAS FUNDAMENTAIS DA CATEQUESE

Jesus Cristo revela a dimensão mais profunda do Homem e do seu mundo. Jesus coloca Deus e o mundo em estreita relação e diante das contradições e injustiças toma posição. Fala de Deus e de seu Reino a partir da situação de vida de seu Povo. Os acontecimentos, até trágicos, as realidades da vida quotidiana, as coisas do mundo, servem de material com o qual ele concretiza a mensagem do Reino e o mostra presente na História. Para Jesus, as coisas todas podem servir de sinal da presença ou ausência do Reino. Por isso tem os olhos bem abertos para a realidade. Da mesma forma, os Apóstolos e a Igreja tomam posição diante da realidade concreta, unindo profunda e criticamente fé e vida. Assim como Jesus, nunca podemos separar a mensagem evangélica da Catequese de nossa História; nem falar de Deus sem falar do homem.

Diante da realidade, qual é a mensagem de salvação que devemos anunciar com a Catequese? A Igreja tem uma só resposta: Cristo, o Redentor do homem. Ele não se substitui ao homem, mas se oferece como caminho da plena realização humana e da vida eterna (Jo 8,32). Assim, o clamor surdo dos que não têm voz é aceito por Deus: Eu ouvi os clamores do meu povo por causa de seus opressores, e desci para o libertar (Ex 3,7-8) (cf. P 1-161).

Deus está no meio de nós, sempre se manifesta dentro de nossa História e de nossas vidas, procurando nos libertar para formas mais humanas de vida. A plenitude desta vida é a total comunhão com ele.

As Escrituras contêm o Relato dos acontecimentos salvíficos e Palavras proféticas pelos quais Deus se revela e dá sentido a História. Elas testificam que Deus sempre fez e manteve Aliança com os homens. O Antigo Testamento é a história de Israel, Povo escolhido para ser sinal e instrumento, para todos os povos, desta presença divina dentro da Humanidade. O Novo Testamento narra o acontecimento máximo de nossa história da salvação, isto é, a manifestação do próprio Deus na pessoa de Jesus de Nazaré, e seu prolongamento até o fim dos séculos através de sua Igreja vivificada pelo Espírito Santo.

Toda a Bíblia é a narração, sob a inspiração do Espírito Santo, das experiências concretas de um Povo à procura de Deus e da ação desse Deus se revelando a este Povo. Por isso, a Bíblia, como principal fonte da fé, deve ser lida no contexto da vida, porém à luz da Tradição e do Magistério, que são a garantia para nós de uma correta interpretação (cf. DV 2-6; P 372; 1001).

A criação, início do plano de salvação

A própria criação do mundo é um grande ato do amor de Deus. A criação das coisas visíveis e invisíveis, do mundo e dos anjos, é o princípio da História da salvação.

Deus  criou  o  mundo  e  o  homem  para  poder  se doar, fazendo-o  gratuitamente  participar  de  sua  vida  e felicidade. Por isso,  o  plano  de nossa salvação tem início na criação: todos os homens são criados em vista do apelo que Deus lhes faz em Cristo para entrar em seu Reino (cf. 1Cor 8,6; Cl 1,15-17; Jo 1,1-3; Hb 1,1-4; LG 2,3,7,48; GS 22; DCG 51; DV 3).

Deus está sempre atuante através de sua Providência, respeitando a liberdade que deu; assim, aquilo que para nós é tão difícil, ou seja: cuidar e educar respeitando a liberdade pessoal, para Deus é o normal, porque o amor, que em nós é embrionário, nele é a essência mesma do ser: Deus é amor (1Jo 4,8), e é próprio do amor doar-se livremente, expandir-se, gerar novas vidas.

Só o Homem, criado à imagem e semelhança de Deus, pode entrar em diálogo com ele e responder a seu apelo de Amor. Sendo fiel ao plano de Deus e à sua graça, o homem, com sua caminhada histórica, vai se dirigindo para os novos céus e a nova terra (Ap 21,1; 2Pd 3,13), que serão o cumprimento final da criação (Rm 8,18-27).

O poder e o amor de Deus, que se manifestou na criação, manifesta-se plenamente quando surge a nova criatura, o novo Adão, ou seja, na Ressurreição de Cristo (Ef 1,19). As  iniciativas de  Deus  para  nos salvar, presentes em toda a nossa História e que culminam na Ressurreição de Cristo, hão de ter sua consumação no fim do mundo, quando haverá novos céus e nova terra (cf. 2Pd 3,13).

Ao criar o mundo, Deus nos criou para que participássemos da comunidade divina de amor: o Pai com seu Filho Unigênito no Espírito Santo. Fomos criados, pois, para a comunhão e participação. A Bíblia exprime esse pensamento através da imagem do paraíso terrestre: o homem, na medida em que permanece fiel ao plano da criação, vive numa perfeita harmonia com o próprio Deus, com ele mesmo, com os outros e com a natureza. Ele é o parceiro de Deus, com quem conversa e passeia (Gn 3,8-13). Essencialmente iguais (Gn 2,23), homem e mulher não são idênticos: são diferentes em vista da complementaridade.

Deus é bom, e o homem, criado para a comunhão, é bom também (Gn 1,31). Donde, então, tanta violência, ódio, exploração e escravidão, que vemos ao nosso redor? O homem, instigado pelo maligno, rejeita o amor de Deus, não tem interesse pela comunhão com ele, quer construir, prescindindo de Deus, um mundo fundamentado nas relações de dominação. Em vez de adorar ao Deus verdadeiro, adora ídolos, obras de suas mãos e realidade deste mundo; adora a si próprio. Por isso o homem dilacera-se interiormente, rompe a unidade consigo mesmo, com Deus e a natureza. Penetram no mundo o mal, a morte, a violência, o ódio e o medo; a multiplicidade dos pecados torna-se a triste experiência dos homens e é causa de multiforme sofrimento e desgraça.

Dentro desse contexto se manifestam a natureza e os efeitos do pecado pessoal, pelo qual, agindo ciente e deliberadamente, violamos de fato a lei moral, ofendendo gravemente a Deus. À atitude de pecado, à ruptura com Deus que degrada o homem, corresponde sempre, no plano das relações intersubjetivas, a atitude de egoísmo, orgulho, ambição e inveja, que geram injustiças, dominação e violência em todos os níveis.          Corresponde também à luta entre indivíduos, grupos, classes sociais e povos, bem como a corrupção, hedonismo, exacerbação sexual e superficialidade nas relações mútuas. Se estabelecem situações de pecado que escravizam a tantos homens e condicionam adversamente a liberdade de todos. O pecado destrói nossa dignidade humana.

Ao narrar o pecado, a Bíblia nos apresenta logo a promessa do Salvador, e este é o aspecto principal de toda a narração. Assim, a certeza fundamental, sobre a qual se alicerça a doutrina do pecado original, não é a informação histórica sobre fatos acontecidos na origem do mundo, mas a Revelação de que Cristo é o Redentor necessário de todos os membros da humanidade, sem o qual ninguém encontra salvação (cf. P 182-186; 328; DCG 62; GS 13).

Jesus Cristo, centro do plano de salvação

Deus realiza nossa salvação através de uma longa História. Ele não nos abandona, mas através de um povo concreto, Israel, reinicia o diálogo de salvação, realizando sucessivas Alianças, para que possamos construir o mundo partindo da fé e da comunhão com ele. Fatos concretos da História deste povo, particularmente o Êxodo, mostram a mão poderosa de Deus Pai que anuncia, promete e começa a realizar a libertação do pecado e de suas conseqüências.

O centro dessa História de nossa libertação é a figura de Jesus de Nazaré, o Filho de Deus. A salvação que ele nos propõe ultrapassa de muito a redenção do pecado; por ela se cumpre o plano de Deus, que quer comunicar-se conosco em Jesus, com tal plenitude que vai muito além da expectativa humana, ou seja: em Jesus  Cristo  todos  somos  chamados  a  participar  da  própria vida  divina  pelo  Espírito  Santo, e daquela cristificação do cosmos e da História, que Deus pensou desde o início do mundo(cf. Cl 1,15-20). De fato, a obra redentora de Cristo visa também a restauração de toda a ordem temporal, pois, embora a ordem espiritual e a ordem temporal sejam distintas, encontram-se, no entanto, intimamente ligadas no único propósito de Deus, ou seja, fazer do mundo, em Cristo, uma nova criação que se inicia aqui na terra e tem sua plenitude no último dia.

Este  plano  de  amor conserva sempre sua força e se estende a todos os tempos. Ainda que pecador, o homem sempre permanece na única ordem desejada por Deus, isto é, numa radical vocação para a comunhão com ele em Jesus Cristo. Por isso todos, movidos pela graça, podemos, pela conversão, alcançar a salvação (cf. P 181, 187; DCG 62; AA5; GS 29, 41).

Jesus Cristo: sua encarnação e vida entre nós

Chegada a plenitude dos tempos (Gl 4,4), Deus Pai envia ao mundo seu Filho Jesus Cristo, Senhor nosso, Deus verdadeiro nascido do Pai antes de todos os séculos, e homem verdadeiro nascido da Virgem Maria por obra do Espírito Santo. O Filho de Deus assume o humano, e no humano o universo todo, que desde a criação é orientado para o homem, restabelece a comunhão entre seu Pai e nós.

Ao enviar seu Filho ao mundo, o Pai se torna Pai de todos os homens, e nós nos tornamos filhos no Filho. Assim, quando a Palavra eterna de Deus assume a nossa natureza humana, nos é dada dignidade altíssima, e Deus irrompe na nossa História, isto é, no peregrinar humano rumo à liberdade e à fraternidade, que aparecem agora como caminho que leva à plenitude do encontro com ele.

Professando a fé no mistério da Encarnação, cremos, com a Igreja, tanto na divindade de Jesus Cristo, quanto na realidade e força de sua dimensão humana e histórica. Nele resplandecem a glória e a bondade do Pai que tudo prevê, e a força do Espírito Santo que anuncia a libertação integral de todos e de cada um dos homens do nosso povo.

O  homem  Cristo  Jesus,  que  habitou  entre  os homens trabalhando  com  suas  mãos  como  homem,  pensando com mente  humana,  agindo com vontade humana, amando com coração humano, é verdadeiramente o Verbo e o Filho de Deus que, pela Encarnação, de certa maneira se uniu a cada homem (cf. P 188, 189, 175; DCG 53; GS 22; RH 8,13).

Vida e ensinamentos

Jesus de Nazaré nasceu e viveu no meio de uma família pobre e de seu povo de Israel, compartilhando com ele a vida, esperanças e angústias; compadeceu-se das multidões e fez o bem a todos. Esse povo, acabrunhado pelo pecado e pela dor, esperava a libertação que Deus lhe havia prometido. No meio dele Jesus anuncia: Completou-se o tempo; chegou o Reino de Deus.Convertei-vos e crede no Evangelho (Mc 1,15). Ungido pelo Espírito Santo para anunciar o Evangelho aos pobres, para proclamar a liberdade aos cativos, a recuperação da vista dos cegos e a libertação dos oprimidos, Jesus entrega e confia, com as Bem-aventuranças e o Sermão da Montanha, a grande proclamação da Nova Lei do Reino de Deus; através de muitas parábolas ele nos esclarece a realidade e o conteúdo do Reino.

Com a vida e os ensinamentos de Jesus, Deus atendeu às súplicas humanas e quis libertar os homens de forma definitiva e última. O Reino de Deus é essa libertação de Deus, como dom do Pai. O Reino não é um mundo utópico aqui na terra, nem apenas a felicidade depois da morte. Para Jesus, o Reino começa aqui na terra e se consuma depois da morte, no céu. Nosso povo está ainda esperando e quer que a Igreja lhe comunique a verdade de Jesus: O Reino já chegou e está no meio de nós! (cf. P 176, 190).

A práxis de Jesus

Às palavras anunciadoras do homem novo e da sociedade nova e de crítica profética à estrutura sócio-religiosa de seu tempo, Jesus juntou fatos. Os milagres são realizados por Jesus para serem sinais de que ele é efetivamente o Messias, o Libertador. Palavras, atitudes e ações de Jesus demonstram então que o Reino já chegou. Em Jesus, Deus estava presente vencendo o demônio e criando o homem novo num mundo novo.

Infiltrando-se nas estruturas sócio-religiosas, as forças do mal levaram muitos homens à rejeição de Jesus. Passando pela perseguição e pela dor, ele manifesta-se como o Servo de Javé, de que fala o profeta Isaías (Is 53). Por sua radical fidelidade ao amor do Pai, chega à abnegação total, rejeitando a tentação do poder político e da violência. E é este o caminho que ele traça para seus seguidores: a doação desinteressada e sacrificada do amor; amor que abraça a todos, privilegiando os pequenos, fracos, pobres, e congregando a todos numa fraternidade capaz de abrir novo caminho na História (cf. P 191-192).

O seguimento de Jesus e a conversão

O projeto de Deus, anunciado no Reino pregado por ele, implica uma transformação radical no nosso modo de pensar e de agir como pessoas e como sociedade.

À medida que vamos seguindo o Cristo Ressuscitado, seu Espírito que habita a Igreja nos inspira a ficarmos mais parecidos com Cristo, compreendendo e atualizando em nossa vida os mandamentos da Lei divina, especialmente o Amor a Deus e ao próximo e a fidelidade às orientações de vida dadas pelo Mestre no Sermão da Montanha. Por isso, a conversão ao Reino é um processo nunca encerrado, tanto em nível pessoal quanto social, porque, se o Reino de Deus passa por realizações históricas, não se esgota nem se identifica com elas (cf. P 193, 1221, 1159).

O mistério pascal – A morte redentora de Jesus

Num mundo que não se converte ao Reino, mas que se organiza contra ele, este Reino só pode se realizar pela via do martírio. Foi o caminho seguido por Jesus. Por fidelidade e obediência ao Pai que o enviou e à mensagem que pregou e viveu, Jesus se entregou à morte livremente. Sumo Sacerdote, Vítima Pascal, ele encarna a justiça salvadora do Pai e o clamor de libertação e redenção dos homens. Torna-se assim o verdadeiro Cordeiro que tira o pecado do mundo: morrendo, destruiu a nossa morte, redimindo-nos do pecado (cf. P 194).

Sua ressurreição-exaltação

Por isso o Pai o ressuscita, confirma-o Senhor e Filho de Deus e o coloca à sua direita com a plenitude vivificante do Espírito. Ele é constituído Cabeça do Corpo que é a Igreja, Senhor da História e do mundo, sinal e penhor de nossa ressurreição e da transformação final do universo. Por ele e nele o Pai recria todas as coisas.  Exaltado  na  glória,  não  se  aparta  de  nós:  continua a viver  em  nossas  comunidades,  principalmente  na  Eucaristia e na  proclamação  da  Palavra.  Está  no  meio  dos  que  se  reúnem em  seu  nome  e  na  pessoa dos pastores que envia e, num gesto de ternura, quis identificar-se com os mais fracos e mais pobres (cf. P 195-196).

Jesus Ressuscitado, Senhor da História

No centro da História humana se implantou, assim, o Reino de Deus em Jesus ressuscitado. A justiça de Deus triunfou da injustiça dos homens. Da História velha do homem decaído passou-se à História nova do homem regenerado por Cristo, que, pela eficácia do Espírito, coloca os homens em comunhão e participação com a própria vida de Deus. É esta a boa nova que anunciamos (cf. P 197).

O Pai e Jesus enviam seu Espírito

O primeiro dom do Pai com Cristo ressuscitado aos Apóstolos é o Espírito Santo, tantas vezes prometido. Por ele Jesus continua sua presença salvadora no mundo, pois o Espírito Santo é a alma da comunidade daqueles que nele crêem, isto é, a Igreja. É o Espírito Santo que faz reviver e recriar a atitude de Jesus (cf. Jo 16,12-15); ele renova na fração do pão o mistério pascal de Jesus; ele cria a união entre os irmãos, do mesmo modo que reunia os discípulos ao redor de Jesus. É o Espírito da verdade que nos liberta, conduzindo-nos à verdade total; dentro de nós dá testemunho de que somos filhos de Deus e de que Jesus ressuscitou e é o mesmo ontem, hoje e através dos séculos (Hb 13,8). Assim ele é o nosso principal Evangelizador (cf. P 202; 198).

A ação do Espírito Santo hoje

O Espírito Santo é a vida de Deus em nós, a água que jorra da fonte, Cristo, que faz renascer os que morreram pelo pecado. É ele que nos atrai para Deus, suscita nossa oração, faz-nos viver os mistérios de Cristo na Liturgia; suscita na vivência da mesma Liturgia uma criatividade fecunda, e inspira as várias modalidades de viver o Evangelho. É o mesmo Espírito que nos faz odiar o pecado, sobretudo combatê-lo num momento de tanta corrupção e desorientação como o atual. A renovação dos homens, e conseqüentemente da sociedade, vai depender, em primeiro lugar, da ação do Espírito de Deus em nós e por nós. As leis e estruturas deverão ser animadas pelo Espírito que vivifica os homens e faz com que o Evangelho se encarne na História (cf. P 203; 199).

Espírito que reúne na unidade e enriquece na diversidade

Deus não faz acepção de pessoas: a ação evangelizadora dirige-se a todos os homens indistintamente para torná-los filhos de Deus. Para isso, o Espírito Santo suscita na Igreja ministérios e instituições. O Espírito Santo unifica na comunhão e no ministério e provê com dons hierárquicos e carismáticos a toda a Igreja através dos tempos, vivificando as instituições eclesiásticas (cf. AG 4). Hierarquia e instituições são instrumentos do Espírito e da graça. Os dons e carismas provêm dele, mas especialmente os dons maiores da fé, esperança e caridade, e estão a serviço do Cristo e da Igreja, que é assim edificada.

Sem o Espírito não há Igreja; em sua ação missionária ela age, como Cristo, impulsionada pelo Espírito. A experiência do Espírito na caminhada da História constitui um dos fundamentos da Igreja (cf. P 205-208; LG 4; AG 4).

O Deus revelado em Jesus Cristo e no Espírito Santo: um Deus de comunhão e participação

A ação salvífica de Jesus, Filho de Deus, e a ação do Espírito Santo nos revelam concretamente quem é Deus. Ele é Pai de bondade e fonte de toda vida e santidade; é um Deus que se revela e se comunica: revela-se em Jesus Cristo, seu Filho, Palavra eterna feita carne, e se revela no Espírito, Amor e Comunhão do Pai e do Filho, pelo qual Deus entra em comunhão conosco e nos ama.

Deus, portanto, é comunhão, onde tudo é vida, onde todas as relações são de igualdade e de mútua abertura. Deus é protótipo daquilo que devemos ser como sociedade, pois somos criados à imagem e semelhança de Deus. Este Deus-Comunhão de Pai, Filho e Espírito Santo quer nos inserir sempre mais em sua comunhão: é o que se chama comunhão trinitária, a estender-se em todas as dimensões da vida, inclusive econômica, social e política. Nossas comunidades eclesiais, vivendo intensamente a comunhão trinitária, devem esforçar-se por constituir para nosso país um exemplo de convivência, onde consigam unir-se a liberdade e a solidariedade, autoridade e serviço; onde se ensaiem formas de organização e estruturas de participação capazes de suscitar um tipo mais humano de sociedade. Sem uma comunhão com Deus em Jesus Cristo, qualquer outra forma de comunhão puramente humana acaba se tornando incapaz de sustentar-se e termina fatalmente voltando-se contra o próprio homem. E é nisto justamente que o Reino de Deus encontra sua plena realização: a humanidade e cada pessoa como templo de Deus Pai, Filho e Espírito Santo (cf. P 214-215; 273).

Jesus, fundador da Igreja como sinal do Reino

A presença de Jesus na História é inseparável da presença da Igreja que o evangeliza: a Igreja é inseparável de Cristo. Ele fundou-a sobre Pedro, cabeça dos doze, como sacramento universal e necessário da salvação. Foi uma ação direta do Senhor, convocando os discípulos, outorgando-lhes seu Espírito, dotando a comunidade nascente de elementos essenciais, que deu origem a uma instituição divina.

Aceitar Cristo é aceitar a Igreja. Isto faz parte do Evangelho. Ela  é  depositária  e  transmissora  do Evangelho, prolongando  na  terra  a  ação  evangelizadora  de  Jesus. Ela é única:  o Senhor  a  chama  minha  Igreja (Mt 16,18). Daí  a  imensa   graça e  responsabilidade  da  vocação  à  Igreja  Católica (cf. LG 14; P 220-225).

A mensagem de Jesus é o Reino que nele mesmo se torna presente e chega até nós; embora seja inseparável da Igreja, o Reino transcende os limites visíveis dela; ele se realiza onde Deus está reinando pela graça e pelo amor, vencendo o pecado, estabelecendo comunhão, mesmo no coração de quem se acha fora do ambiente perceptível da Igreja.

Ela é anunciadora, instrumento e sinal do Reino. Nela se manifesta visivelmente o que Deus realiza silenciosamente no mundo inteiro:a convocação de todos os homens para um crescimento de comunhão entre si e com ele. Germe e princípio do Reino, sob o influxo do Espírito, a Igreja deve crescer, aperfeiçoar-se sob muitos pontos, necessitando de constante evangelização, conversão e purificação (cf. LG 5; P 226-231).

A Igreja, Povo de Deus

Prefigurada no Antigo Testamento, a Igreja é o Povo de Deus caminhando para seu Senhor. Nasce de Deus pela fé. Encarna-se em todos os povos, fomenta e assume, e, ao assumir, purifica e eleva todas as capacidades, riquezas e costumes dos povos no que têm de bom (LG 13 b); não é massa, mas fermento. É um povo de redimidos pelo sangue de Cristo, um povo em marcha, chamado para levar a todos os homens a libertação definitiva que, acontecendo já na História, terá sua plenitude somente na eternidade. É um povo de servidores, no qual cada um desempenha sua função para o crescimento de todos (cf. LG 9-17; P 232-237).

A Igreja, comunidade a serviço da salvação do mundo

A Igreja existe por causa de sua missão: salvar. Ela mesma é fruto de salvação, pois nasceu do lado aberto de Cristo na Cruz. Nascida como primeiro fruto dos acontecimentos pascais, ela é enviada a salvar, torna-se sinal de Cristo entre os homens, meio necessário de salvação, sacramento original e universal da redenção de Cristo, porque expressa e realiza o encontro de Deus com os homens. Para isso ela é induzida pelo Espírito Santo, dotada da Palavra, dos Sacramentos e de Ministérios.

A Igreja, como instituição salvífica, se caracteriza por:

  1. a) É divina, mas está no mundo:

A Igreja tem uma missão de serviço em relação ao mundo, para levá-lo a Deus, através da pregação, dos sacramentos e da atuação da caridade (cf. Jo 17,11-19).

  1. b) É apostólica e atual:fundada sobre os Apóstolos, nela o velho e o novo estão em contínua tensão, originando formas sem renovadas de adaptação aos tempos, permanecendo fiel às suas origens. Exige uma dupla fidelidade: à doutrina apostólica que nos é transmitida pelas Escrituras inspiradas, e aos Bispos, presididos pelo Papa, como sucessores dos Apóstolos e legítimos intérpretes de sua doutrina. É apostólica porque quer reproduzir duas características dos Apóstolos: ficar com Jesus e pregar (Mc 3,14). Toda a Igreja é chamada a realizar a Tradição: unir passado, presente e futuro num enriquecimento contínuo; o que foi recebido pelos Apóstolos foi enriquecido pelas gerações cristãs nestes 20 séculos, e a nossa geração está dando também a própria contribuição: é a juventude perene da Igreja (cf. P 1178).
  2. c)   É católica e local:a Igreja é católica, isto é, universal, por causa de sua missão de reunir todos os homens em Cristo: católica e missionária são inseparáveis.
  3. d)   É una e múltipla:ela é una pela aceitação do mesmo ensinamento apostólico, pela caridade e pela vida fraterna que tornam seus cargos não títulos de honra, mas de serviço; é una, principalmente pelas celebrações, mormente a Eucaristia. Mas a Igreja é também múltipla, pois a Igreja universal e una se realiza nas Igrejas particulares. A unidade da Igreja universal é garantida pelo Papa, perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade da fé e comunhão, sucessor de Pedro e vigário de Cristo, e cabeça visível de toda Igreja (cf. LG 18-23).
  4. e)É santa e pecadora:a Igreja é santa porque Jesus Cristo, o Justo e Santo, amou-a e santificou-a com sua entrega total; é santa por causa do Espírito Santo santificador, que é sua alma, por causa de seus dons, dos sacramentos e da caridade. Todos somos chamados a esta santidade. Mas a Igreja é também peregrina, está a caminho daquilo que será na consumação dos tempos; ela carrega em si ainda a marca do pecado, pois é feita de pecadores (cf. LG 11,32, 39-40; P 250, 251; 266).

 

A Igreja, sacramento de comunhão – A dimensão comunitária da Igreja

A Igreja, como sacramento universal da salvação, está inteiramente a serviço da comunhão dos homens com Deus e do gênero humano entre si. Ela evangeliza, em primeiro lugar, mediante o testemunho global de sua vida. Assim, na fidelidade à sua condição de sacramento, trata de ser mais e mais um sinal transparente ou modelo vivo da comunhão de amor em Cristo, que ela anuncia e se esforça por realizar.

Cada membro da Igreja nasce para Deus, mediante o Sacramento do Batismo. Pela água, pela Palavra, pelo Espírito Santo e pela adesão da pessoa à fé e à comunidade cristã, inicia-se o processo de conversão permanente do cristão ao Senhor; ao mesmo tempo, começa a participar, como membro da Igreja, na realização do Projeto de Deus na História.

Como batizados, sentimo-nos atraídos pelo Espírito de Amor, que nos impele a sair de nós mesmos, a abrir-nos para os irmãos e a viver em comunidade. Na união entre nós, torna-se presente o Senhor Jesus Ressuscitado, que celebra sua Páscoa no meio de nós. A experiência de comunidade de fé se concretiza de modo crescente na família, nas pequenas comunidades eclesiais, nas paróquias que, em comunhão com o Bispo, formam a Diocese (LG 1; P 272; 564; 565; 639-647).

A dimensão comunitária e o pecado

A Igreja, na sua missão de ser sinal de comunhão e sacramento da salvação, é dificultada pela ação do pecado que impede constantemente nosso crescimento no amor e na comunhão. A marca do pecado se encontra tanto nos corações dos homens como nas diversas estruturas por eles criadas. É importante reconhecer tanto a forma do pecado pessoal como a do pecado social. Este é o egoísmo e a injustiça que se cristalizam nas instituições e nas leis da sociedade, criadas para satisfazer aos interesses de alguns em detrimento de muitos outros.

São pecados diretamente contrários à verdadeira comunhão fraterna. Por isso, a primeira opção pastoral da Igreja é a conversão cada vez mais profunda ao Evangelho. De fato, animados pelo Espírito Santo, esperamos superar as estruturas do pecado na vida pessoal e social e obter a verdadeira libertação que vem de Jesus Cristo (cf. P 281; 973).

A dimensão comunitária e ecumênica

O Cristo Senhor fundou uma só e única Igreja. Por obra do Espírito Santo, surgiu na Igreja o movimento ecumênico, visando edificar em Cristo a unidade de todos os cristãos, e dele todos nós somos chamados a participar.

Teremos verdadeiro espírito ecumênico se nós, sem deixar de professar que a plenitude das verdades reveladas e dos meios de salvação instituídos por Cristo permanece na Igreja Católica, vivemos nossa fé com sincero respeito, em palavras e obras, para com as outras Igrejas e comunidades cristãs.

Os sacramentos, ações de Cristo na Igreja

Toda a criação é uma mediação, símbolo e sinal da manifestação de Deus. E o homem, através dela, chega ao conhecimento básico do Senhor.

Jesus  Cristo,  Mediador  supremo  entre  Deus  e os homens,  é  o  mais  perfeito  e cabal SINAL SENSÍVEL e EFICAZ da ação salvadora de Deus. Ele é a imagem do Deus invisível (Cl 1,15). Portanto, ele é o Sacramento Primordial do Pai. Cristo Jesus, após realizar historicamente a obra de nossa libertação e da perfeita glorificação de Deus através de sua morte e ressurreição, enviou, com o Pai, o Espírito Santo à sua Comunidade-Igreja, e por ela ao mundo.

Assim vivificada continuamente pela presença libertadora do Senhor Ressuscitado, a Igreja é o Sacramento de Cristo, para comunicar a vida nova e propor o Projeto de Deus aos homens e ao mundo, sendo ao mesmo tempo sinal e testemunha.

Toda ação da Igreja para o serviço do Reino participa, de certa forma, da sua sacramentalidade. Mas, entre os múltiplos gestos da Igreja que são sinais visíveis da presença da graça do Cristo entre os homens, a Igreja reconhece sete sacramentos propriamente ditos. Cada um deles atualiza a ação da graça para uma determinada situação da vida humana: Batismo (nascimento, entrada na vida divina e na Igreja); Eucaristia (alimentação da vida cristã, participação no mistério da morte-ressurreição do Senhor); Confirmação ou Crisma (participação do Espírito na missão comunicada à Igreja no dia de Pentecostes; testemunho da fé no Cristo Ressuscitado); Reconciliação ou Penitência (celebração do perdão após o pecado); Unção dos Enfermos (presença da graça no sofrimento, doença, morte); Ordem (serviço cristão especial, administração dos Sacramentos) e Matrimônio (amor conjugal, estabelecimento da família cristã).

Os sacramentos numa perspectiva integral

Sendo os Sacramentos sinais sensíveis e eficazes da graça, visam nossa santificação, à construção da Igreja, ao culto a Deus, mas vão mais longe, devendo repercutir de forma dinâmica e libertadora nas relações interpessoais, na estruturação mais justa da sociedade e na ação do homem sobre a História e o mundo. Por serem sinais e símbolos, requerem uma iniciação, uma instrução, para serem devidamente compreendidos e vividos. Supõem a fé, mas ao mesmo tempo a alimentam, fortalecem e exprimem. Conferem a graça, mas simultaneamente nos preparam, para que estejamos dispostos a acolhê-la melhor, tornando-se assim cada vez mais eficaz em nós.

Os sacramentos possuem eficácia santificadora porque prolongam, por instituição divina, o mistério pascal, morte e ressurreição do Senhor. Neste sentido, todos eles  não somente a Eucaristia,  são o memorial da morte e ressurreição. Porque memorial, evocam o acontecimento salvífico, fazem-no presente à nossa fé como mistério sempre atual e eficaz à espera da realização futura do Reino. No entanto, os sacramentos não produzem efeitos mágicos. Supõem, nos que os recebem, disposições interiores. Assim, a fé em Jesus Cristo é exigida, fundamentalmente, para o Batismo e deve prolongar-se em todos os demais sacramentos. A conversão sincera e a confissão dos pecados são indispensáveis na Penitência. A pureza da consciência exige-se na participação, principalmente, da Eucaristia. E a intenção de efetuar um contrato uno e indissolúvel em ordem à geração de novas vidas, é imprescindível no matrimônio (cf. P 920-923; SC 38).

Igreja, sacramentos e liturgia

Constituída em seu núcleo central pela celebração dos Sacramentos (o que supõe também a celebração da Palavra de Deus), a Liturgia é vivida também nos sacramentais, na Liturgia das Horas e nas orações comunitárias do Povo de Deus. A Liturgia, como ação de Cristo e da Igreja, é o exercício do Sacerdócio de Jesus Cristo. Assim, nossa oração unida à de Cristo constitui-se como culto público e integral a Deus. A Liturgia é o ápice e a fonte da vida da Igreja, um encontro com Deus e os irmãos. Nela celebramos o mistério da presença operante de Deus em nossa caminhada, a ação de Deus em nosso dia-a-dia, o esforço de libertação total. Por isso, ela é também força em nosso peregrinar, para que levemos a bom termo, mediante o compromisso transformador da vida, a realização plena do Reino, segundo o plano de Deus (cf. SC 5, 6, 7; P 917-918; SC 10).

A  nossa  Liturgia  organiza  e  vive  a  celebração dos grandes  mistérios  da  fé  através  do  ano  Litúrgico,  tendo  como centro  e  fundamento  a  celebração  da  PÁSCOA.  Na  veneração dos  Santos,  particularmente  de  Maria,  a Igreja celebra o mistério pascal vivido por eles e proposto para nós como exemplo (cf. SC 102-104).

A Eucaristia, centro de toda a vida sacramental

A Eucaristia é a renovação da Aliança do Senhor conosco, seu Povo; perpetua o sacrifício da Cruz, realizando de modo contínuo a obra da Redenção; é sacramento de piedade, sinal de unidade, banquete pascal, em que Cristo nos é dado, força para nossa caminhada, prelibação dos bens futuros. Ela contém todo o bem espiritual da Igreja e a ela se ordenam todos os demais sacramentos e todos os ministérios eclesiais.

Por ela deve iniciar-se toda a educação ao espírito comunitário, pois significa e realiza a unidade da Igreja. Por ela a Igreja continuamente vive e cresce, fazendo acontecer sempre mais a Aliança em Cristo com Deus e provocando-nos para o amor-justiça, tanto para a partilha dos bens e dos dons, como para a entrega de nós mesmos, até ao martírio, se preciso for, a exemplo do Mártir Maior, Jesus Cristo.

Por isso, a Eucaristia é o centro e o ponto culminante de toda a vida sacramental, fonte e ápice de toda a vida cristã e de toda a evangelização, raiz e centro da comunidade cristã.

Como fonte, a Eucaristia é dom inesgotável de Deus; como ápice, é a meta proposta de toda a comunidade. Entre o dom e a realização do ideal, há uma caminhada a  ser feita pelos cristãos: é o caminho da integração fé-vida, da realização da comunhão no dia-a-dia, é a celebração da Liturgia da vida.

A comunidade cristã se esforçará para celebrar a Eucaristia principalmente no domingo, Dia do Senhor, Páscoa semanal, fundamento e núcleo do Ano Litúrgico (cf. SC 106). Esse dia deve ser guardado como de preceito e celebrado com particular solenidade (cf. Cân 1246 e 1247).

Maria, Mãe de Deus e modelo da Igreja

Não se pode falar de Igreja sem que esteja presente Maria.Maria é a realização mais alta do Evangelho, o grande sinal, com rosto materno e misericordioso, da proximidade do Pai e de Cristo, com quem ela nos convida a entrar em comunhão.

Em suas alegrias e sofrimentos nosso povo se identifica profundamente com Maria, de modo que ela se torna a mediação mais completa da vivência evangélica. A Igreja, instruída pelo Espírito Santo, venera Maria como Mãe muito amada com afeto e piedade filial. A sagrada Escritura mostra como em Maria se instaura a vitória definitiva sobre o demônio (cf. Gn 3,15). Ela é a nova Eva, que no sim obediente (cf. Lc 1,38) vence o não da primeira Eva. É a primeira a crer (cf. Lc 1,45) e misteriosamente é associada à Redenção (Jo 2,1-11; 19, 25-27).

Maria é Mãe de Deus, Mãe de Jesus Cristo no seu sim da anunciação. É Mãe da Igreja, porque é Mãe de Cristo, Cabeça do Corpo Místico. Além disso, é nossa Mãe, por ter cooperado com seu amor no momento em que do coração trespassado de Cristo nascia a família dos redimidos; por isso, é nossa Mãe na ordem da graça.

Maria tem coração tão grande quanto o mundo, e intercede por todos os povos. Maria e Mãe e educadora da fé, cuida para que o Evangelho penetre intimamente em nossa vida e nossa cultura, e produza em nós frutos da santidade.

Maria é modelo de vida cristã, pois toda a sua existência é uma plena comunhão com o Filho, uma entrega total a Deus em todos os seus caminhos, numa união única que culmina na glória. Acreditou com uma fé que foi dom, abertura, resposta, fidelidade. O Magníficat espelha sua alma vazia de si mesma e plena de confiança no Pai. É o poema da espiritualidade dos pobres de Javé e do profetismo da Antiga Aliança; modelo daqueles que não aceitam passivamente as circunstâncias adversas, mas antes proclamam com ela que Deus exalta os humildes e depõe do trono os soberbos.

Sua Virgindade, amor-doação ao Senhor, foi inseparável da fé, pobreza, obediência, e assim tornou-se fecunda pelo Espírito Santo. No mistério da Igreja, esta Virgindade materna reúne duas realidades: Maria é toda de Cristo e toda servidora dos homens. Assim quer ser a Igreja: unida a Cristo e Mãe de todos os homens.

A Imaculada Conceição nos apresenta a face do homem redimido, em que se refaz mais misteriosamente ainda o projeto do paraíso. A Assunção manifesta o destino do corpo santificado pela graça, a criação material participando do corpo ressuscitado de Cristo, e a integridade humana, corpo e alma, reinando após a peregrinação da História.

Em Maria, o Evangelho penetrou a feminilidade, remiu e exaltou-a, dignificando extraordinariamente a mulher. Maria é bendita entre todas as mulheres.

Em  Maria  a  Igreja  já  atingiu  a  perfeição pela  qual  existe  sem  mácula  e  sem  ruga;  em  nós,  cristãos, ela ainda  se  esforça  para  crescer  em  santidade,  vencendo o pecado.  Por  isso,  eleva  seus  olhos  a  Maria  que  refulge  para toda  a  comunidade  dos  eleitos  como exemplo de virtude (cf. MC 28; P 282; 286-290; 292-294; 296-299; LG 65).

A verdade sobre o homemO homem renovado em Jesus Cristo

Deus criou o homem para que participasse da comunidade divina de amor. Pelo pecado, ele se afastou de Deus, mas Jesus Cristo o resgatou, fez dele uma nova criatura, filho de Deus, irmão de todos os homens, senhor do universo e herdeiro da vida eterna. Assim, Jesus Cristo, Redentor do mundo, impregnou de maneira tão singular a humanidade, que só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente o mistério do homem. O Filho de Deus, fazendo-se homem, uniu-se de certo modo a cada homem (cf. P 182, 322; RH 8; GS 22).

O homem, cooperador de Deus no plano da salvação

A vida do homem é dom de Deus, mas é também compromisso, pois Deus, que nos criou sem nossa participação, não nos salva sem nossa cooperação (Sto. Agostinho). Ao longo da história da salvação, Abraão e Moisés, Davi e os Profetas, Maria e os Apóstolos, todos os cristãos, a Igreja inteira, respondendo livremente ao apelo de Deus, tornaram-se seus colaboradores para a salvação da humanidade. Também nós, hoje, somos chamados a nos tornar co-responsáveis da nossa libertação e do nosso destino. Temos consciência que mesmo esta capacidade de responder e colaborar com nossa salvação, é igualmente dom do amor de Deus por nós.

Grandeza da liberdade humana e cristã

Ferida pelo pecado, nossa liberdade foi redimida por Cristo; ele restaurou a dignidade original que tínhamos recebido ao sermos criados por Deus à sua imagem. É o amor de Deus que nos dignifica radicalmente; em nós ele se traduz necessariamente em comunhão com os outros homens e participação fraterna. Por isso, a exemplo de Jesus Cristo, nosso amor se manifesta concretamente para com os injustiçados e no esforço de libertação dos oprimidos (cf. P 331, 324, 327).

Dignidade da consciência moral

Iluminados  pelo  Evangelho,  revalorizamos  os grandes  traços  da  verdadeira  imagem  do  homem  e  da  mulher. Sendo  todos  fundamentalmente  iguais,  membros  da  mesma estirpe, apesar da diversidade  de  sexos,  línguas,  culturas e formas  de  religiosidade,  temos  por  vocação  um  único  destino. Nesta  pluralidade,  cada  pessoa  tem  sua  missão  e  seu  valor irrepetíveis no destino comum. Embora condicionado por processos sociais, econômicos e políticos, o homem não está a eles submisso, mas tem a missão de humanizá-los. Está, ao invés, submisso a uma lei moral que vem de Deus e capacita a consciência dos indivíduos e povos a viverem a liberdade verdadeira dos filhos de Deus (cf. P 334-335; GS 16; IM 6).

O pecado do homem

Quando o homem age contra sua consciência e contra Deus, ele peca, ofende a Deus e degradando-se a si mesmo. É o maior dano que a pessoa pode causar-se a si mesma e aos demais, pois o pecado pessoal sempre tem conseqüência também em nível social(cf. nº 182-183). As situações de pecado corroem a dignidade do homem, são causa da miséria e escravidão, raiz e fonte de opressão, injustiça e discriminação, limitam a liberdade de todos (cf. P 328, 330, 73, 70, 186, 517).

Reconciliação com o Pai em Cristo

Jesus Cristo, assumindo todas as nossas situações, carregou o peso de nossos pecados e quis ser a vítima decisiva da injustiça e do mal deste mundo. Através de sua morte e ressurreição, ele nos deu a vida divina: Morreu pelos nossos pecados e ressuscitou para nossa justificação (Rm 4,25). Ele permanece vivo e atuante em sua Igreja, continuando a obra de nos reconciliar com o Pai. De fato, através do Espírito Santo que ele infundiu em nossos corações, podemos chamar a Deus de Pai e nos tornamos radicalmente irmãos. Ele nos faz tomar consciência do pecado contra a dignidade humana, contra o universo, contra o Senhor.

Fortifica também nossa liberdade, para que possamos reconciliar-nos conosco, com os outros, com a natureza e com ele, através da Igreja. Esta reconciliação através da Igreja é o sinal de nossa reconciliação com o Pai: é o sacramento da reconciliação ou penitência que faz chegar ao homem o amor-misericórdia de Deus e o perdão dos outros. Nesse processo, a libertação do pecado exige também a coerência na libertação das conseqüências do pecado em nosso íntimo, em nossa inter-relação com os outros e na maneira como estruturamos a sociedade (tantas vezes estruturada a partir e em função do pecado). Assim terá sentido nossa oração: Perdoai as nossas ofensas, como nós perdoamos a quem nos tem ofendido (cf. P 194, 329, 330; RH 1).

O mistério da morte e da vida eterna

O Filho de Deus, encarnando-se, assumiu a condição humana, menos o pecado, para levá-la à plenitude. Neste processo, ele assumiu e superou os sofrimentos e a morte. A Igreja celebra a vitória de Cristo sobre a doença e a morte, com o sacramento da Unção dos Enfermos, enraizando-as na Cruz-Ressurreição e projetando-as para a felicidade eterna. Com este Sacramento, a força da graça alivia o sofrimento, santifica o enfermo e lhe dá coragem para a luta contra a doença, anunciando a vitória pascal da morte cristã.

Jesus Cristo, assumindo a morte, destruiu a nossa; destruindo em nós o pecado, salvou-nos da morte eterna. O plano de nossa salvação não se detém na redenção do pecado, mas confere uma graça superabundante em relação à condenação trazida pelo pecado (cf. Rm 5,17). Assim, sabemos que, embora submetidos à morte física, pela força da vida divina que nos foi dada no Espírito Santo, somos destinados à vida eterna. Deus, no entanto, respeita nossa liberdade, se não queremos aceitar o seu amor e a sua proposta de salvação, e livremente nos afastamos de seu caminho. O homem que faz esta opção radical e morre nesta situação, permanece eternamente afastado de Deus: é o que chamamos de inferno ou morte eterna, isto é, a total frustração da vida humana, devido à perda do amor de Deus. Esforçando-nos por viver as exigências do Reino, após a morte passando pela purificação (purgatório) quando necessário, somos confirmados no amor de Deus: é a bem-aventurança eterna.

Nela viveremos em plenitude com Deus aquela vida de comunhão que, em germe, agora procuramos viver com os irmãos. Por isso, nossa vida mortal não nos é tirada, mas transformada, e desfeita nossa habitação terrena nos é dada nos céus uma eterna mansão (cf. DCG 62; prefácio litúrgico).

Os compromissos do cristão – A fé, resposta do homem a Deus, expressa na fraternidade e no culto

A fé cristã é nossa resposta livre e pessoal à Palavra de Deus, que nos interpela em Jesus Cristo; ela é também adesão da inteligência que, através de sinais e palavras, chega às realidades que não se vêem (Hb 11,1).

A nossa resposta de fé é, antes de tudo, obra de Deus, não só porque Deus tem de fato a iniciativa em vir ao encontro das expectativas do homem, mas sobretudo porque o ato mesmo, com o qual o homem acolhe sua Palavra, se encontra sob a moção do Espírito Santo e por isso é fruto da graça.

Ter fé significa colher nas coisas, acontecimentos e pessoas, o apelo de Deus que oferece sua Aliança de comunhão em Cristo. Longe de se identificar com uma ideologia, a fé cristã é adesão à pessoa de Jesus Cristo, à sua mensagem de libertação e salvação; ela tem uma tarefa crítica e profética diante das situações contingentes da História. Não consiste apenas em adesão a um credo ou princípios morais, mas também e principalmente, em atitudes, ou seja, na adesão a Deus e a seu plano de salvação e no compromisso com os irmãos, incluindo a responsabilidade social.

Uma fé pessoal e adulta é operante e constantemente confrontada com os desafios de nossa realidade. É uma fé animada pela caridade (cf. Gl 4,6; 1Jo 4,7-21) e está presente no compromisso social como motivação, iluminação e perspectiva teológica, que dá sentido integral aos valores da dignidade humana.

Sacramento da Crisma ou Confirmação conferido na adolescência, juventude ou começo da idade adulta, por motivos pastorais, significa uma confirmação da fé batismal. O cristão, fortalecido pelo dom do Espírito Santo que recebe no sacramento, assume consciente, esclarecida, coerente e generosamente, de modo pessoal e comunitário, as exigências do Batismo, num compromisso adulto com a comunidade eclesial, presidida pelo Bispo que confere o sacramento, e com a transformação social segundo o Projeto de Deus, numa consagração mais amadurecida do Senhor.

Através de um conjunto de sinais, nós celebramos a fé, na Liturgia, como encontro com Deus e com os irmãos, festa de comunhão eclesial e fortalecimento em nosso caminhar e compromisso de nossa vida cristã (cf. DCG 64; SC 7; P 939, 973; Med 7,10; 713; 10,10; 6,9; 613).

O cristão na construção da História

A nossa comunidade transforma-se num lugar onde, vivendo a fé, nos educamos para fazer a História, para levar eficazmente com Cristo a História de nosso povo até ao Reino. Cremos que o projeto de Deus a nosso respeito é que sejamos os construtores da História; assim fugimos da tentação do secularismo, que concebe a construção da História como responsabilidade exclusiva do Homem, e da tentação oposta, dos que crêem não poder e não dever intervir, esperando que só Deus atue e liberte.

Cristo ressuscitado é o Senhor da História. Ele está conosco, e, pela sua presença em nossa História humana, toda ela assume o sentido pleno de realização do desígnio salvador de Deus. Toda ação humana na História tem, assim, uma referência objetiva à salvação.

Assumindo sua Cruz, Jesus Cristo converteu seus sofrimentos em fonte de vida pascal. Para que também nós sejamos capazes de transformar nossas dores e as dos nossos irmãos em crescimento para uma sociedade de participação e fraternidade, a Igreja precisa educar homens capazes de forjar a História segundo a práxis de Jesus, isto é, numa atitude de total confiança e doação ao Pai e de máxima co-responsabilidade e compromisso transformador da História.

Essa atitude eclesial é celebrada e alimentada na Eucaristia. Fazendo memória sacramental do gesto de Cristo que entrega seu corpo e seu sangue pela vida do mundo, a comunidade cristã rememora também o sacrifício de todos quantos, seguindo o seu Mestre, dedicam sua vida à libertação dos irmãos e aprendem a viver cada vez mais plenamente a sua vocação de serviço à libertação total do homem, que tem seu centro e sua fonte na morte e ressurreição do Senhor (cf. P 197, 274-279, 435, 436; ECOP 2).

O cristão na comunidade eclesial

A comunidade eclesial, Sacramento do Cristo Salvador no mundo de hoje, é formada de seres ainda em busca da perfeição. Divina, porque obra do Espírito Santo, nela sempre presente, a Igreja é também humana e conseqüentemente pecadora. Enviada a evangelizar e testemunhar o Reino, ela precisa continuamente auto-evangelizar-se e converter-se. O esforço de santificação de cada um e de todos a constrói e a aperfeiçoa. Cada membro do Corpo eclesial é responsável pelo bom andamento do todo (cf. 1Cor 12), e o corpo sadio ajuda o crescimento de cada um. A comunidade cristã primitiva (At 2,42-47; 4,32-35) é  modelo para qualquer comunidade eclesial, e, obviamente, para a Catequese renovada.

Na comunidade eclesial todos têm a vocação comum de construí-la. Pelo Batismo e Crisma, cada cristão assume sua fé, sua participação na comunidade, seu engajamento na transformação da sociedade no amor e na esperança. As vocações realizam a complementariedade de membros do mesmo corpo: uns como leigos, outros como ministros, ordenados ou não, outros como religiosos.

O cristão e a família

Na família cristã, em seu esforço de ser Igreja doméstica, somos chamados à primeira experiência de comunhão na fé, no amor e no serviço ao próximo.

A lei do amor conjugal é comunhão e participação, e não dominação. O matrimônio deve ser uma exclusiva, irrevogável e fecunda entrega à pessoa amada, sem perder a própria identidade. Tão profunda é esta aliança, que é apresentada como símbolo da união existente entre Cristo e a Igreja (Ef 5,25-33).

Os cristãos chamados a viverem no Matrimônio devem buscar a plenitude de sua humanidade como expressão do amor mútuo, como colaboração com Deus na transmissão da vida humana, na educação integral da pessoa e como serviço à causa do Reino.

A vida conjugal e familiar não estão isentas de dificuldades. A força do Matrimônio e de outros sacramentos, a força de uma forte espiritualidade conjugal e familiar e o apoio da comunidade cristã, ajudam o casal e a família a superarem, na fé, as várias situações de conflito, de dificuldades na educação dos filhos, de tentações de todos os tipos. Vive-se, assim, concretamente a comunhão com o mistério da paixão-morte-ressurreição (amor-doação de Cristo), na espera da realização plena do amor e da felicidade que se busca no matrimônio e na família.

O cristão e o trabalho

O cristão trabalha, não somente por necessidade, mas para responder conscientemente à ordem do Criador: Dominai a terra (Gn 1,28). Esta convicção faz perceber que o trabalho humano não é apenas útil, mas também digno, ou seja, dignifica o homem e exprime sua dignidade. Assumindo-o como uma vocação, transformamos a natureza sem desrespeitá-la e nos realizamos como pessoas no campo familiar, social, nacional e internacional.

Quem dá a medida do trabalho é o próprio homem, que é o seu sujeito, autor e fim. O trabalho é para o homem e não o homem para o trabalho. Superamos qualquer ideologia que queira fazer do trabalho apenas um instrumento de lucro e que leve à dominação e exploração do próprio homem, porque acreditamos que a matéria prima do trabalho nos é dado como dom, pois no princípio do trabalho humano está o mistério da criação, colocada à disposição de todos para usofruto na justiça e fraternidade.

E Cristo, que caminha em nosso meio, transforma nosso trabalho em gesto litúrgico, tornando-nos protagonistas com ele na construção da convivência e das dinâmicas humanas, que refletem o mistério de Deus e constituem sua glória vivente. Na Eucaristia, máxima celebração de nossa fé, nos é dado usar os frutos da terra e do trabalho do homem.

O cristão e a política

A Igreja sempre deu primazia ao amor fraterno como característica fundamental da vivência da fé no Deus de Jesus Cristo. O amor fraterno não pode ser vivido só no âmbito interpessoal, isto é, não se pode viver o amor pelo outro a não ser criando estruturas sociais e promovendo uma política global, que permita de fato reconhecer os direitos de cada pessoa e garantir as condições de vida que a dignidade humana exige.

A Igreja acredita que a fé deve ordenar toda a vida do homem e todas as suas atividades, também as que se referem à ordem política: esta ordem está sujeita à ordem moral. A Igreja, iluminada pela fé, procura definir com sempre maior clareza as exigências que da ordem moral decorrem para a ordem política.

A política é dever de todos na Igreja. Enquanto atividade partidária, isto é, que busca os meios e estratégias para a realização dos grandes objetivos, é campo próprio dos leigos.

A atitude do cristão diante da política deve ser segundo suas possibilidades. A omissão ajuda a perpetuação de injustiças. Participando consciente e concretamente em atividades que visem ao bem comum, estamos exercendo nossa função política. E a isto somos chamados, acima de tudo, motivados pela fé.

Estudo dos programas dos partidos para chegar a uma opção consciente, lembrando que nenhum partido, por mais inspirado que seja na doutrina da Igreja, pode arrogar-se à representação de todos os fiéis, já que seu programa concreto nunca poderá ter valor absoluto para todos.

Respeito  pelos  outros,  evitando  extremismos e unilateralismos.  O pluralismo é indispensável  à  expressão  política,  e  o  Evangelho nos convida  a  renunciar  a  toda  violência,  mesmo verbal e sutil.

O cristão em face da pobreza

A evangelização dos pobres foi para Jesus um dos sinais messiânicos. O compromisso evangélico na Igreja deve ser como o de Cristo: compromisso com os mais necessitados. Os pobres merecem atenção preferencial, seja qual for a situação moral ou pessoal em que se encontrem. Criados à imagem e semelhança de Deus para serem seus filhos, essa imagem é obscurecida e até escarnecida. Por isso Deus toma sua defesa e os ama.

Os pobres e oprimidos nos interpelam, chamando-nos à conversão, pois muitos deles realizam em sua vida os valores evangélicos de solidariedade, serviço, simplicidade e disponibilidade para acolher o dom de Deus. Devemos redescobrir o extraordinário valor da pobreza evangélica, que une atitude de abertura confiante em Deus com uma vida simples, sóbria e austera, que aparta a tentação da cobiça e do orgulho. Dessa maneira praticaremos mais facilmente a comunicação e participação dos bens materiais e espirituais, e a abundância de uns remedeia a necessidade de outros.

O testemunho de uma Igreja pobre pode evangelizar os ricos, convertendo-os e libertando-os de seu egoísmo. Essa conversão traz a exigência de um estilo de vida austero e total confiança no Senhor, já que na sua ação evangelizadora a Igreja contará mais com o ser mais e o poder de Deus e sua graça, que com o ter mais e o poder secular.

Apresentará uma imagem autenticamente pobre, aberta a Deus e ao irmão, onde os pobres têm capacidade real de participação e são reconhecidos pelo valor que têm.

O cristão e a promoção da justiça, da dignidade humana, do desenvolvimento integral e da paz

A libertação do pobre não se realizará sem a construção de uma sociedade mais justa, pois a raiz da pobreza é social. Neste sentido, como Igreja, apoiamos e desenvolvemos as organizações de defesa e de luta pelos direitos humanos, empenhando-nos para que se orientem por princípios e critérios cristãos; através dessas organizações, os pobres chegam a conscientizar-se e a assumir a própria libertação.

O cristão empenha-se na libertação integral, trabalha pelasociedade mais solidária e fraterna, luta pela justiça e pelapaz alicerçada na justiça. Condena a violência e afirma que as transformações bruscas e violentas das estruturas são enganosas e ineficazes. Possuindo a criatividade do Espírito, busca nova ordem, que favoreça o surgimento de um Homem Novo, à imagem de Jesus Cristo.

Participa no diálogo e no trabalho com os que colaboram na construção da sociedade, particularmente com aqueles que têm poder decisório. Isso não exclui o reconhecimento do valor construtivo das tensões sociais que, dentro das exigências da justiça, contribuem para garantir a liberdade dos direitos, especialmente dos mais fracos.

O cristão em face do pluralismo

Presenciamos crescente pluralismo religioso e ideológico. O cristão católico deve viver sua fé em diálogo com essas diversas manifestações religiosas e culturais. O  diálogo  ajudará  a aprofundar  a  própria  fé  e  identidade,  e  a  conhecer melhor  os  não-católicos,  auxiliando-os  a  conhecerem e apreciarem  a  Igreja  Católica  e  sua  convicção  de ser Sacramento  da  Salvação.  De fato,  a Igreja evangelizadora propõe a mobilização de todos os homens de boa vontade, principalmente os que professam a mesma fé em Cristo, a fim de construir a civilização do amor e edificar a paz na  justiça.

Esperança escatológica e comunhão final com Deus

A caminhada terrena da comunidade cristã não se faz na incerteza, pois já possuímos na esperança aquilo que possuiremos em plenitude na consumação da História. O caminho que percorremos já foi percorrido por Cristo, pelos Santos: os que morreram defendendo a integridade da fé, a liberdade da Igreja e servindo aos pobres. A luz pascal de Cristo ressuscitado, de Nossa Senhora na Glória e dos Santos nos ilumina, nos fortifica e nos aponta a meta final da existência: a realização plena daquela comunhão com Deus, que agora vivemos pela presença do Espírito Santo em nós e pela vida de comunhão com os irmãos.

Peregrinos e conscientes de nossa fragilidade, meditamos o caminhar e a História, às vezes trágicos, sob o signo da consolação, de esperança e de salutar temor (1Ts 4,18), e assim assumimos nossa responsabilidade no tocante à nossa sorte futura.

Somente  no  encontro  definitivo  com  o Pai acharemos a plenitude de comunhão. Enquanto a Igreja espera a união consumada com seu esposo divino, o Espírito e a Esposa dizem: VEM, SENHOR JESUS (Ap 22,17-20) (cf. P 265, 298, 209, 210; DCG 67).