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Vigário Apostólico de Aleppo: “Obrigado, Santidade! Não nos sentimos abandonados”

Igreja no Mundo 10032017

Damasco (RV) – “Não nos sentimos sozinhos, não nos sentimos abandonados, mas sabemos ser parte de uma grande família que é a Igreja de Cristo. Isto nos dá coragem e esperança e a força para suportar tantas coisas”.

Estes foram os sentimentos expressos pelo Vigário Apostólico de Aleppo dos Latinos, Dom Georges Abou Khazen, ao comentar a notícia sobre a doação de 100 mil euros feita pelo Papa e a Cúria Romana.
De fato, ao final dos Exercícios Espirituais em Ariccia, proximidades de Roma, o Santo Padre celebrou a Missa pela Síria e anunciou a doação aos pobres de Aleppo do valor, que chegará ao seu destino por meio da Custódia da Terra Santa.

Em entrevista telefônica à Agência SIR, Dom Khazen afirmou não ver a hora de dar a notícia aos fiéis que permaneceram na cidade.

“A notícia – disse ele – me foi dada há pouco pelo meu confrade Padre Giulio Michelini, chamado pelo próprio Papa para pregar os Exercícios Espirituais. Foi ideia sua ler durante as refeições algumas páginas do livro do Pároco de Aleppo, Padre Ibrahim Alsabagh, intitulado “Um instante antes do amanhecer”, onde narra as histórias de guerra e de esperança em Aleppo”.

“O Santo Padre – ressaltou Dom Khazen – sempre foi próximo à Síria e acompanha de perto o que acontece aqui. Os seus apelos ao diálogo, à paz e à concórdia são contínuos. Como também a sua oração. Acredito que a situação na Síria esteja pouco a pouco melhorando também pela sua oração. Hoje nos chega este ulterior sinal de proximidade concreta e lhe somos agradecidos”.

O Vigário Apostólico de Aleppo dos Latinos espera que este gesto do Papa Francisco “seja uma mensagem à diplomacia, para que possa encontrar uma solução justa e pacífica para esta guerra que ninguém quer”.
Dom Khazan conta ainda que há alguns dias foi restabelecido o fornecimento de energia elétrica em alguns bairros, esperando que o mesmo aconteça com a água, visto o exército ter retomado o controle da estação hídrica em al-Khafsa. “A situação, no entanto – completa – continua crítica, especialmente no campo humanitário e sanitário. O preço dos remédios aumentos 300%. Tratar-se é muito difícil. Os salários, para quem trabalha, são baixíssimos”.

Diante da surpresa do anúncio da doação, ainda não foi possível determinar com exatidão como será usado o montante. No entanto, o Vigário de Aleppo diz que parte do valor poderia ser usada em projetos para criar empregos. “Se um pai de família consegue trabalhar – observa – e levar para dentro de casa alimentos, não deixará Aleppo. Esperamos que o mais breve possível recomece a reconstrução, que criará tantos empregos”.

Ele lamenta que ainda são muitas as famílias cristãs que deixam a cidade. “Antes da guerra, em Aleppo, viviam 185 mil cristãos de todos os ritos. Uma comunidade muito viva e comprometida também na sociedade. Hoje permaneceram menos da metade. Os católicos, depois, são pouquíssimos. Alguns permaneceram por princípios, esta é a sua pátria, outros, porque não tinham a possibilidade de emigrar. A minha esperança, é que este gesto do Papa, a proximidade de toda a Igreja, possa motivar tantas de nossas famílias a voltar”.


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