Vaticano participa pela primeira vez na Conferência da ONU sobre a Mulher

Cidade do Vaticano

Pela primeira vez a Santa Sé enviou um representante a uma sessão da Comissão das Nações Unidas sobre o Status da Mulher. Trata-se de Barbara Jatta, diretora dos Museus do Vaticano, que participou  da conferência “Women in Power” organizada por Maria Fernanda Espinosa Garcés, presidente da Assembleia Geral da ONU. Na manhã de 12 de março a representante da Santa Sé participou de três mesas redondas do evento que foi aberto pelo secretário-geral, o português Antonio Guterres.

Vatican News fez algumas perguntas a Barbara Jatta sobre o significado desta histórica participação.

Barbara Jatta: Foi a primeira vez que a Santa Sé enviou um seu representante a essa Assembleia. Sinto-me honrada e creio que seja um importante sinal que o Vaticano quer dar sobre a presença feminina nas suas estruturas.

Representar a Santa Sé em uma comissão sobre a situação das mulheres permite também levar o testemunho da doutrina social da Igreja sobre o tema…

Barbara Jatta: A doutrina social da Igreja tem pontos extraordinários que estão sendo aplicados. Posso me considerar um exemplo, como mulher, esposa, mãe, mas também funcionária de uma estrutura vaticana, na qual sempre fui respeitada, valorizada pelo trabalho que fiz, mas também com atenção pelo fato de ser mãe e esposa. A sociedade mudou e a Santa Sé claramente adequou-se aos tempos, com muitas iniciativas em favor das mulheres. Dentro do Vaticano aumentam cada vez mais os cargos de chefias com a presença de mulheres.

Quando comecei a trabalhar na Biblioteca éramos apenas 3 mulheres, e quando saí, 20 anos depois, éramos 50% de todos os funcionários. Nos Museus do Vaticano, cerca de 50% entre os quase mil funcionários e colaboradores são mulheres. E muitas mulheres têm posições de chefias tanto na parte organizativa, como no setor administrativo dos Museus. Portanto, há realmente um equilíbrio da presença masculina e feminina ao menos nas estruturas que trabalhei na Santa Sé.

Podemos dizer que depois de 30 anos da Carta Apostólica Mulieris dignitatem, o documento de João Paulo II sobre a dignidade e a vocação da mulher, que foi um marco na Igreja, foram feitos muitos passos concretos…

Barbara Jatta: Tenho certeza disso. Os cinco cardeais bibliotecários com os quais trabalhei e o cardeal presidente Giuseppe Bertello, que é meu atual superior, tiveram e têm uma particular atenção pelo papel feminino e portanto a aplicação da Mulieris dignitatem foi e está sendo feita, com os passos de uma sociedade que está em evolução.

*Divulgação Vatican News

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