Ucrânia: milhões de pessoas podem ficar sem água por causa da guerra

Para o UNICEF, a nova escalada de tensões no Leste da Ucrânia está ameaçando o acesso à água e serviços higiênicos para cerca de 3,2 milhões de pessoas, entre as quais 500 mil crianças. Ao mesmo tempo cresce o perigo para os trabalhadores humanitários que arriscam suas vidas para reparar infra-estruturas danificadas

Durante a última semana de junho foram verificados 5 episódios ligados ao conflito que atingiram estruturas hídricas e higiênico-sanitárias situadas na linha de contato do leste da Ucrânia que divide as áreas sob controle do Governo e as não controladas.

No dia 29 de junho, estilhaços de bombas danificaram a rede hídrica próxima de Horlivka, ao longo do canal Siverski Donets-Donbass que abastece de água mais de 3 milhões de pessoas em ambos os lados da linha de contato.

Entenda a guerra no leste da Ucrânia

A Guerra civil no leste da Ucrânia, é um conflito em andamento na região de Donbass. Iniciou em março de 2014, com manifestações de grupos pró-russos e antigoverno. Trata-se de um conflito armado entre as forças separatistas das autodeclaradas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk e o governo ucraniano. Os separatistas são amplamente liderados por cidadãos russos.

Apelo do UNICEF

“O UNICEF pede mais uma vez o fim dos bombardeios indiscriminados contra infra-estruturas civil vitais e a proteção dos trabalhadores que estão reparando os danos. Estas pessoas arriscam sua própria vida para que seja garantido para as crianças e famílias o acesso à água potável, direito humano fundamental para todos”, declarou Laura Bill, vice-representante UNICEF na Ucrânia.

Desde o início do ano, os combates nas áreas atingidas pelo conflito causaram a interrupção hídrica para 3,2 milhões de pessoas por 29 dias e danificaram 58 vezes estruturas hídrico-sanitárias. Já morreram 9 trabalhadores e 26 ficaram  feridos enquanto trabalhavam nas reparações das tubulações.

Epidemias por falta de água potável

“Quando o acesso à água potável é interrompido ou reduzido, as crianças e suas famílias não têm outra escolha a não ser recorrer a água contaminada e serviços higiênicos não garantidos. Isso é particularmente perigoso no verão com as altas temperaturas”, declarou Laura Bill. “No mês de abril passado houve uma epidemia de gastroenterite nos dias que interromperam o fornecimento de água – se as hostilidades não terminarem, mais crianças continuarão a sofrer”.

Nos primeiros 5 meses deste ano o UNICEF e as organizações parceiras garantiram o acesso à água potável a cerca de 930 mil habitantes nos dois lados do conflito, distribuindo água com carro-pipa, e abastecendo estações de água, reparando tubulações e fazendo melhorias nas frágeis redes de distribuição hídrica.

 

Veja também