Sexta Santa – Escolher sempre com Deus no coração

Como tomar decisões num mundo cada vez mais marcado pelo satisfação imediata, pelo sucesso instantâneo e alívio imediato? Como fazer nossas escolhas diante de uma humanidade que, quanto mais se moderniza, mais se deprime? O que escolher diante de tantos estímulos, gerados por tantas liberdades? Foi buscando respostas para questões como essa que a psicóloga Patrícia Ragone se inspirou para escolher o tema “Decisões” para a última Sexta Santa deste ano, realizada pela Paróquia Nossa Senhora Rainha na noite de ontem, dia 24 de novembro. O louvor foi conduzido pelo cantor José Velloso.

Patrícia Ragone lembrou que a escolha é um ato de autodeterminação e que o ser humano é dotado de muito potencial, que na maioria das vezes não é devidamente explorado. Ela disse que o espaço entre o estímulo e a resposta daquilo que é esperado que nós façamos é o espaço da decisão, é o espaço da escolha pessoal. “Como nós temos preenchido esse espaço?”.

A psicóloga disse que existem vários tipos de escolha e destacou as materiais (como o que vestir, o que comer, o que comprar), comportamentais (começar a fazer uma atividade física, trocar de emprego, fazer um bom curso, um seguro de saúde), relacionais (ficar só, estar em grupo, casar, se separar), existenciais (ser uma pessoas comprometida com quais valores, onde buscar a minha felicidade, o que fazer pelos outros, uma vida mais autocentrada ou um vida em comunidade) e espirituais (ser de Deus ou ser do mundo).

Ela ressaltou que, antes de tomar uma decisão, devemos nos perguntar se “vou fazer uma escolha no sentido de me ampliar ou de me cercear, de me fazer aproximar ou de me distanciar, de me fazer uma pessoa comprometida com o bem ou de me fazer uma pessoa que nem sabe ou nem pensa a respeito do assunto”? Patrícia lembrou que não é possível falar em escolha sem falar em livre arbítrio. “Deus nos deu o livre arbítrio e, na visão de Santo Agostinho, livre arbítrio é quando nós estamos na estrada atentos a separarmos o bem do mal e a liberdade é quando nós sabemos fazer o bom uso do livre arbítrio”.

Patrícia Ragone lembrou também que existem três padrões de escolhas. O primeiro seria o “típico catador”, que sai catando tudo o que o mercado oferece, sem nenhum critério, buscando apenas “o que está na moda”. Viciados em emoções primeiras, eles vão caindo num vazio de personalidade. O segundo seria os maximizadores, viciados em perfeição e pesquisas. Eles se lotam de opções e ficam tão obcecados pela métrica que acabam caindo na paralisação, pois nada nem ninguém consegue corresponder às expectativas que eles têm.

O terceiro padrão de escolha são os “escolhedores do suficientemente bom”. Eles selecionam, pesquisam, escolhem com critério, filtram, se baseiam em seus valores, procuram entender que nada nessa vida vai ser 100% correspondente, que não existe o companheiro perfeito, o trabalho perfeito, mas sim aquele que é suficientemente bom para fazê-lo feliz. “Eles têm uma visão mais flexível, uma postura muito mais grata, e caminham passo a passo comprometidos com a sua aprendizagem, e dizem, ao final do dia, ‘Senhor, eu te agradeço pelo dia suficientemente bom em minha vida, em meu trabalho, na minha família’. E se perguntam sempre: ‘O que Deus quer que eu faça?’, ‘Deus ficaria feliz se eu fizesse tal coisa?’”.

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