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Portas que se fecham: como apresentar ao seu filho o “limite como manifestação ilimitada de amor?”

Não queiram ser muito sábios, não queiram ter resposta em tudo, não queiram ter a última palavra. Menino não gosta de pai muito cheio de última palavra. Menino adora nos ensinar!

Muitas vezes pergunto aos pais pelos filhos e é mais fácil os pais falarem dos problemas que os filhos têm criado, do que das infinitas possibilidades por eles criadas. Tudo nesta vida é uma questão de atenção, aonde eu coloco a minha atenção. Se hoje nós colhemos é porque nós cuidamos, tratamos e semeamos a horta. Aí sim ela nos alimenta. Ou damos atenção, ou distração.

Atenção não significa controle, atenção significa cuidado. Os filhos não são elementos para que nós controlemos, eles detestam isto. Os filhos gostam de serem cuidados e cuidado significa segurança, ou seja, a gente saber onde eles estão, com quem e por quanto tempo, mas não absolutamente saber tudo sobre eles. As pessoas hoje estão andando muito cansadas de educar, porque o conceito foi invertido. Acham que educar significa saber tudo a respeito do outro. Ninguém saberá tudo. Que nós percamos a ilusão de que sermos bons pais significa saber todos os passos de nossos filhos. Então, nós nos perdemos na quantidade de elementos e deixamos de cumprir a qualidade dos elementos.

O que realmente importa saber? Os pais vão entrando em um processo maior de preocupação e menor de ação no relacionamento com o filho. Sermos bons pais é treinar o nosso olhar, a nossa atenção no melhor deles.

Se é que nós queiramos transformar os filhos em canal de graça é preciso que nós saibamos muito mais das qualidades deles, dos potenciais deles, do que das deficiências deles. Mesmo aquele menino rebelde, mesmo aquela menina resistente, mesmo aquele menino difícil temperamentalmente. Em que eles são bons? Treinemos o nosso olhar para as qualidades deles, e assim nosso lar torna-se mais forte.

Outra coisa muito importante é que nós não caiamos no processo da manipulação dos filhos, na triangulação dos filhos. Existe uma trança sistêmica, ou encontrada, ou desencontrada. É muito importante que os filhos saibam quem é quem dentro desse sistema. É muito importante que tenhamos as missões bem definidas. Menino quando não tem um lar organizado vai entrar para fazer várias tentativas. Para que nós não caiamos na tentativa da invasão e da manipulação é importante que os filhos entendam que nós temos o nosso tempo individual/casal. É necessário que os filhos saibam que as portam se fecham para que os pais possam se recolher. Eles entendem e vão ficar muito felizes. Porta de quarto de pai e mãe, muitas vezes tem que ser fechada. Não só para o momento da intimidade física, mas para que possam descansar e conversar. O limite é uma manifestação ilimitada de amor. O mundo vai fechar a porta para eles e se não têm uma porta fechada por quem mais os ama, as portas que se fecham lá fora vão ser para eles um limite final.

É importante limitar as crianças para que nós desenvolvamos nelas resiliência. E fechar a porta significa que nós permeemos a vida deles com “sim” e com “não”. Eu me lembro de nãos que foram verdadeiros “sim” para mim e que fizerem de mim a pessoa que sou hoje.

Patrícia Quaresma Ragone


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