PECADO SEM CULPA

Artigo - Pecado sem culpa

Prof. Antônio de Oliveira
antonioliveira2011@live.com

“Quando eu, político eleito para representar o povo, deixo de declarar uma mansão ao imposto de renda, uma casinha modesta, aqui no bairro Paraíso Fiscal de Brasília, ou noutro lugar privilegiado, deixo de fazê-lo por um lapso. Meus advogados nem para me lembrarem desses detalhes. Ah! Esses… Além disso, receita é receita. O bolo vem depois dos ingredientes devidamente dosados, negociados e distribuídos leoninamente. Quem parte e reparte fica com a melhor parte. Todo o mundo sabe que leão é um animal selvagem. Não dá para facilitar. Prefiro nem chegar perto. Mantenho distância. Idiota de quem se deixa abocanhar.

Minha vida é um livro aberto. É verdade que, às vezes, surge uma denúncia, denunciazinha, alguns milhões apenas, marolinha, mas tenho Deus por testemunha, é tudo intriga da oposição, ilações de uma imprensa mafiosa e denuncista, fascista, que prejulga, não prova nada. No mais, tanto escândalo neste país! Em pouco tempo um encobre o outro e deixa tudo empilhadinho na seção DP (Decurso de Prazo). Ninguém nunca provou minha ligação com traficantes nem com empresários suspeitos ou que eu tenha dinheiro no exterior. Também não sou muito de laranja, não distribuo nada para minha família, meus parentes que façam concurso. Minha fortuna, fruto do infortúnio de muitos? Não é bem assim. Inveja do empreendedorismo, meu e dos meus apaniguados.

Disse e repito. Esqueçam o que eu escrevi. Pela direita, te locupletarás acintosamente. Esqueçam o que eu dizia. Era o contexto. A luta continua… Quem disse que não? Pela esquerda, te locupletarás aleivosamente. Pra que juntar tanto dinheiro? Perguntam alguns otários. Como é bobinho esse pessoal da ética. Até parece ONG ambientalista.

Posso ser adepto da propina, mas rendo homenagens à transparência. Sigo à risca esse catecismo. Que até pode rimar com cinismo, mas estou longe disso. Conto com a indulgência suprema do foro privilegiado. Que me redime dos pecados.”

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