Missão: razão de ser da Igreja

Outubro está aí. É o mês das missões. Refletir sobre a Missão da Igreja significa mergulhar na Tradição que remonta ao evento fundador, Jesus Cristo. Mas para o momento presente, urge aliar Missão e Diálogo. “O tempo atual exige de todos nós a renovação de forças missionárias para bem cumprir a tarefa de anunciar a Palavra de Deus” (CNBB, Doc. 109, p. 7).

A missão da Igreja tem de ser obra da cháris, dom de Deus antes de tudo, antes da cultura organizacional da instituição. Por isso, lembramos que “a missão da Igreja, tal como a de Jesus, é obra de Deus, ou, usando uma expressão frequente em S. Lucas, é obra do Espírito Santo. A vinda do Espírito Santo fez dos apóstolos testemunhas e profetas (cf. At 1, 8; 2, 17-18), infundindo uma serena audácia, que os leva a transmitir aos outros a sua experiência de Jesus e a esperança que os anima. O Espírito deu-lhes a capacidade de testemunhar Jesus « sem medo ». (Redemptoris Missio, nº 24). “Ai de mim se não evangelizar” (1Cor 9, 16).

Como corpo místico de Cristo (Lumen Gentium, nº 14), a Igreja se constitui na missão de evangelizar. Ao anunciar a boa notícia ao mundo, ao cuidar do humano, a Igreja realiza sua vocação mais originária. Reavivemos, pois, o dom de Deus que há em nós!

Nas palavras do apóstolo Paulo – “ai de mim se eu não evangelizar” – ecoa a razão de ser da Igreja. Sacramento de salvação, a Igreja vive do testemunho, da comunhão e do serviço. Sua missão evangelizadora é uma “missão de amor” anunciando, em primeiro lugar, Jesus Cristo e o seu Reino. Encontra sua razão de ser e sua raiz na experiência do Deus de amor (1Jo 4,8.16), que é uma experiência de “amor fontal” (Ad Gentes, nº 2). Toda a Igreja é missionária. E salientamos aqui que o leigo cristão é “homem da Igreja no coração do mundo e homem do mundo no coração da Igreja” (Puebla 787). Hoje como na origem, redescobre-se o valor da pequena comunidade, da Igreja em células, do fermento na massa. “Os cristãos, portanto, são no mundo portadores da esperança: de que a morte do justo não é a última palavra da história, pois o amor do Pai o ressuscitou (…) A esperança porém não afasta os cristãos dos outros homens e mulheres. Mas, torna-os ainda mais solidários” (CNBB, Doc 62, nº 7-8). Na perspectiva do Reino como categoria teológica privilegiada, a Missão diz respeito à Salvação do homem todo e de todo homem. Por isso, a Igreja participa também dos processos históricos de humanização como sinal do Reino definitivo. Reavivemos, pois, o dom de Deus que há em nós!

Padre Aureo Nogueira de Freitas

Padre Márcio Antônio de Paiva

Párocos Solidários

 

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