Ida sem volta – Prof. Antônio de Oliveira

Finados II 27102015

Prof. Antônio de Oliveira
antonioliveira2011@live.com

Segundo a mitologia grega, as Moiras moram no reino de Plutão, rei dos infernos e deus dos mortos. Donas do destino, elas têm a mesma idade da Noite, da Terra e do Céu. Três mulheres pálidas, Cloto, Láquesis e Átropos, fiam sem parar, em silêncio, o misterioso fio da Vida. Em suas mãos o fim da estrada, tanto dos deuses quanto dos seres humanos, e nada pode forçá-las a interromper o curso inexorável do fado adverso.

Cloto, que significa “fiar”, segura na mão uma roca à qual leva presos fios de todas as cores e de todas as qualidades: de seda e de ouro, para as pessoas cuja existência há de ser feliz; de lã e cânhamo, para todos aqueles que estão destinados ao desatino. Láquesis, que quer dizer “sortear”, dá volta ao fuso onde se vão enrolando os fios que sua irmã lhe apresenta, e sorteia o nome de quem vai morrer. Átropos, a inamovível, a inflexível, e a mais idosa, com um olhar atento e melancólico inspeciona o trabalho e, com uma tesoura comprida, vai cortando o fio quando bem lhe dá na telha. Assim, ninguém escapa ao destino: nem homens nem mulheres, nem ricos nem pobres, nem súditos nem monarcas, nem príncipes nem plebeus. No poema “Sê Rei de Ti Próprio”, Ricardo Reis, heterônimo de Fernando Pessoa, se refere a Átropos como aquela que está acima de qualquer poder terreno, transitório: “Que trono te querem dar / que Átropos to não tire?”.

Três também são as Moiras da mitologia romana, conhecidas como Parcas: Nona (nove luas), preside o nascimento; Décima, corte do cordão umbilical, indivíduo adulto, e Morta, a ponta da outra extremidade, o fim da vida terrena.

A vida se apresenta, pois, sempre por um triz, por um fio, e como um texto cursivo. O fio pode ser rompido a qualquer momento; o texto deve ser pontuado, ao longo do curso dos nossos dias, para quando chegar a hora. Isso faz toda a diferença. E mais: a vida é como a história, dá muitas voltas; entretanto, jamais volta ao ponto de largada. E aí!…

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