Artigo – “Eu nasci 800 anos atrás”

Prof. Antônio de Oliveira
antonioliveira2011@live.com

“Eu nasci há dez mil anos atrás e não há nada nesse mundo que eu não saiba de mais”, canta Raul Seixas. “Eu nasci há 800 anos”, digo eu, e não há nada nesse mundo que eu não saiba de menos. Tenho vivido, nos últimos anos, na proporção de dez anos em cem. Isso em decorrência desse progresso tecnológico avassalador, especialmente no campo da eletrônica. O celular está ao alcance da grande maioria, assim como o caixa eletrônico, o cartão de crédito, o controle remoto. Analfabeto de letramento e analfabeto tecnológico, ambos são hoje carentes de inclusão. Inimaginável há algumas décadas um anúncio como este: “Manutenção de computador, monitor, notebook, impressora, celular, máquina digital, tablet, CFTV, televisor, vídeo game, aparelhos eletrônicos; backup, upgrade, antivírus, formatação.” Na Copa do Mundo a tecnologia julga o juiz.

Karl Jaspers usou a expressão “Era Axial” a fim de identificar, na história do pensamento humano, um “eixo” ou linha divisória entre passado e futuro. Ultimamente, como por encanto, e de repente, o mundo mudou drasticamente. Seria como um divisor de águas? A ficção torna-se realidade, o mito da caverna se desmitifica: televisão digital, gravadores, antena parabólica, CDs, DVDs, GPS, telefones celulares, computadores, minúsculos pen drives, Internet, YouTube, e-books, e-mail, WhatsApp, Messenger, SMS (Serviço de Mensagens Curtas), GTalk, Facebook, Instagram, Twitter, LinkedIn, Viber, Foursquare, jogos online, drones modernos, viagens pelo universo. Mais que evolução, tais mudanças representam uma verdadeira revolução, uma transformação de conceitos e de paradigmas, de visões de mundo e de formas de vida, devido ao fato de que hoje as pessoas se comunicam instantaneamente em todos os lugares, nos trens, nas ruas, nos restaurantes, nas empresas, nas salas de aula. Por terra, mar e ar… O mundo já não é o mesmo, mas ainda resta disseminar a seiva tecnológica de amor e paz.

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