Entrevista/Emanuel Stênio – O desafio de chegar até o fim

Emanuel Stênio
Foto: Henrique Klein

Missionário da Comunidade Canção Nova, cantor, compositor e escritor, Emanuel Stênio foi um dos pregadores da Segunda Conferência Fanuel, que reuniu os jovens da Paróquia Nossa Senhora Rainha no último fim de semana. Em entrevista à Pastoral da Comunicação, Emanuel, que é natural de Martins (RN) e casado com a missionária Gabrielle Sanchotene, falou um pouco sobre a vida de missionário, sobre a gravação do seu primeiro CD solo, intitulado Forte e Santo; e sobre o seu livro “Levanta-te e anda, o desafio de chegar até o fim”.

PASCOM – Você está na Comunidade Canção Nova desde 2006. O que fez você se tornar um missionário? Foi uma escolha difícil?
Eu sempre quis fazer com que as pessoas experimentassem aquilo que experimentei quando recebi o batismo no Espírito Santo, em 1998. Eu sempre fui católico, criado e educado em berço católico e não me recordo de ter faltado a uma missa dominical desde que me entendo por gente. Mas o meu encontro pessoal e profundo com Deus foi na Renovação Carismática Católica. Desde então, eu fui impelido a fazer com que as pessoas também experimentassem aquilo que experimentei. Essa missão de levar a Palavra de Deus a muitas pessoas brotou desde essa época. Em 2004, eu tomei a decisão de ingressar na Comunidade Canção Nova e, depois de dois anos fazendo o caminho vocacional, me tornei um membro da Comunidade.

PASCOM – Em uma de suas pregações, você disse que se sente incomodado com a quantidade de pessoas católicas no Brasil que não vivem verdadeiramente a religião, que não a praticam como deveriam. Por que você acha que estas pessoas estão “frias” na fé?
Isso já é um alerta que deu início à Canção Nova, que surgiu quando o Papa Paulo VI, numa de suas encíclicas, ele fala que “os batizados não são evangelizados”, ou seja, ele traz essa realidade que os católicos vivem uma religiosidade superficial, apática, não experimentam a Deus. Então, foi daí que o Padre Jonas foi chamado pelo Bispo de Lorena na época e disse: “faça acontecer isso, e comece pelos jovens”. Então o Padre Jonas, que era salesiano da Diocese de Lorena, começou a promover os Catecumenatos (sacramento que confirma e consolida a graça batismal) entre os jovens e depois, em 1978, surgiu a inspiração da Canção Nova, a primeira comunidade católica do Brasil. Falo sobre essa retrospectiva porque essa questão que nós tocamos hoje já se tocava há quarenta anos. E essa questão das pessoas que perderam o entusiasmo da fé, que deixaram de ter sede de Deus, é um pouco mais grave devido ao mundo descartável em que vivemos, no qual as pessoas pensam apenas naquele “Deus que me cura”, naquele “Deus que me serve”. Portanto, falta bastante para mergulharmos fundo na nossa religião, para avivarmos a nossa fé.

PASCOM – Você enfrentou a dor da perda de dois filhos gêmeos ainda em gestação. Como enfrentar uma situação dessa sem esmorecer na fé, sem culpar a Deus e sem desanimar da vida missionária?
Acreditando na vida eterna. Aquilo que nos faz lidar com a morte, a perda, é compreender a razão na nossa fé, que é a esperança da vida eterna, da ressurreição, de que Deus tem o controle de tudo. Quando aconteceu a perda eu estava em missão na Terra Santa e fiz aquilo que era necessário fazer como católico, cristão e missionário: eu rezei, pedi a benção de Deus, abençoei os nossos filhos (eu e minha esposa demos nomes a eles) e pedi para que Ele protegesse a minha esposa. Foi uma perda muito dura, muito difícil, mas gerou entre nós a certeza do amor, a certeza de estarmos unindo o nosso sofrimento ao sofrimento de Cristo. Por isso, é possível viver uma perda como essa, e tantas outras que ainda virão, na certeza da ressurreição, na esperança do Céu.

PASCOM – Fale um pouco sobre o seu primeiro trabalho solo: o CD Forte e Santo.
Foi uma experiência de continuidade do trabalho de evangelização que eu faço. Eu escrevi um livro, intitulado “Levanta-te e anda, o desafio de chegar até o fim”, que foi fruto de uma caminhada, pregando para os jovens, de forma especial, mas também para outros públicos no Brasil e em vários lugares no Mundo, onde eu tive a oportunidade de encontrar muitas pessoas e atendê-las e perceber que elas têm perdido a esperança, a motivação, o ânimo. Elas começam muitas coisas, mas não chegam até o fim. Por isso, escrevi esse livro, para incentivar essas pessoas, para que elas recomecem, para dizer a elas: “vamos lá”, “não tenha medo”, “você pode”, “retome a sua caminhada de santidade”. E isso serve para várias situações na vida: um casamento que precisa sempre recomeçar, no trabalho, na faculdade, mas, principalmente, na caminhada para o céu, pois temos um Deus que nos fortalece, que nos reanima. São canções para levar as pessoas a se fortalecerem, a se santificarem.

PASCOM – Que mensagem você vai deixar para os jovens do Grupo Fanuel da Paróquia Nossa Senhora Rainha?
É uma alegria poder partilhar e trazer a palavra de Deus para esses jovens. Dentro do tema desse ano, “Profetas da Esperança”, a mensagem que pretendo deixar para eles é que nós precisamos, com o nosso testemunho de vida e com nossas palavras, de fato ser profetas. Martin Luther King, que foi um grande líder, dizia “não é o barulho dos maus que me incomoda, mas o silêncio dos bons”. Então, acredito que é hora de nos sermos profetas da esperança de fato. E a esperança que nós temos que profetizar é a esperança do Céu, é a santidade. Nós precisamos viver isso, expressar a nossa fé.

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