Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé: Papa Francisco dá impulso à renovação da Igreja

No final da manhã desta segunda-feira o Papa Francisco chegou a Roma, concluindo assim a primeira viagem apostólica internacional de seu Pontificado. Ponto alto desta XXVIII Jornada Mundial da Juventude, a missa de encerramento, celebrada na praia de Copacabana, teve a participação de mais de três milhões de pessoas. Sobre a viagem, eis o comentário do diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, feito ainda em terras brasileiras:
Pe. Federico Lombardi:– "Certamente a atração do Papa Francisco como primeiro Papa latino-americano e a sua capacidade de comunicação contribuíram para o bom êxito – digamos assim – do ponto de vista exterior desta manifestação. Mas esperamos que tenha tido um bom êxito também do ponto de vista interior, de modo a colher a mensagem que o Papa quis dar, que as JMJ em si querem dar. Parece-me que esse tema da missionariedade, este tema da responsabilidade, com compromisso dos jovens, do não ter medo, do superar as dificuldades que se lhes são apresentadas ao longo do caminho e desejar construir juntos aos outros, inserindo-se na sociedade num modo ativo e com a ajuda de todas as outras partes, os outros componentes da sociedade, seja uma mensagem muito rica, que impressionou profundamente. Diria que talvez essa seja, de certo modo, a originalidade da mensagem desta JMJ, aquilo a que o Papa se propunha: viver um encontro com a juventude, como inserida na sociedade e na Igreja em seu conjunto. Com os discursos que fez, com os atos realizados, tanto de atenção aos pobres e às pessoas em dificuldade, aos jovens em dificuldade, bem como com a sociedade social, que tenha realmente entabulado um diálogo com uma realidade muito ampla, em que os jovens estão inseridos. Portanto, um discurso aos jovens, mas também um discurso para todos nós. Parece-me que tenha conseguido isso num modo muito eficaz e era certamente a intenção do Papa Francisco. Também os dois grandes discursos, o que foi feito para os bispos brasileiros e o que fez para o Celam, mostram justamente um contexto amplo, continental, em que este evento se insere e dá também uma grande perspectiva sobre seu modo de viver e de apresentar hoje a missão da Igreja."
RV: Que significado se pode dar para a escolha de Cracóvia2016, segunda sede da JMJ em terra polonesa, após Czestochowa1991?
Pe. Federico Lombardi:- "Sabemos que o Cardeal Dziwisz propunha, com muita convicção, Cracóvia como meta da próxima etapa do caminho das JMJ e podemos muito bem entender isso, porque – entre outras coisas – teremos a canonização de João Paulo II, que foi o inventor, podemos dizer, das JMJ, e – como diz o arcebispo de Cracóvia – as JMJ foram provavelmente uma das intuições mais fecundas ao longo de seu Pontificado. Portanto, é justo, é belo que a juventude do mundo possa peregrinar também para a terra do futuro novo santo, que esteve na origem desta convocação mundial dos jovens, que dá tanta coragem, tanto entusiasmo e tanta orientação à juventude do mundo inteiro."
RV: Pe. Lombardi, que balanço podemos fazer da primeira visita apostólica internacional do Papa Francisco?
Pe. Federico Lombardi:- "Creio que tenha sido uma viagem que obteve plenamente seu bom êxito e alcançou suas finalidades. É também uma viagem que falou à juventude do mundo reunida aqui no Rio, mas também falou muito ao Brasil e ao subcontinente latino-americano. Vimos o Papa – de certo modo – em seu ambiente, em sua terra, falando espontaneamente a sua língua: de fato falou muito em espanhol. Estava absolutamente inserido num ambiente com o qual era perfeitamente capaz de interagir, de estabelecer um colóquio e de lançar mensagens fortes. Inclusive usou expressões muito concretas, muito eficazes. Ele o faz sempre: em Roma faz isso muitas vezes… Mas aqui pareceu fazê-lo ainda com mais espontaneidade. Num certo sentido, também para nós foi um modo para conhecer melhor o Papa latino-americano em seu contexto. E diria que, vendo a eficácia de sua relação pastoral e de orientação com esta terra, entendemos melhor como o ter um Papa latino-americano e como a dinâmica da Igreja neste continente, que ele encoraja muitíssimo – sempre fazendo referência a Aparecida, ao grande encontro dos bispos e à continuidade com este grande evento de Igreja –, é uma riqueza para a Igreja no mundo inteiro, que pode provavelmente dar uma contribuição, aquilo que sempre dissemos com palavras, mas que agora o experimentamos na prática: como de uma Igreja viva, dinâmica como a Igreja latino-americana, encorajada a ser ela mesma com toda a sua riqueza de jovialidade e de espontaneidade, pode vir um novo encorajamento à Igreja no mundo inteiro. Certamente à Igreja europeia que se sente, por exemplo, mais cansada ou mais habitudinária; e provavelmente também aos outros continentes. Portanto, diria que tivemos plenamente um bom êxito da JMJ, com uma grande e intensa participação dos jovens, bem como também vimos o Papa oferecer o seu credibilíssimo serviço de pastor universal à Igreja no continente que há mais católicos em todo o mundo e daqui indicar também à Igreja no mundo inteiro um caminho de renovação, de revigoramento que será precioso para todos." (RL)

Veja também