Artigo – “De ratos, flautista e corruptos”

Prof. Antônio de Oliveira
antonioliveira2011@live.com

Em 1284, reza um conto de fadas, folclórico, Hamelin, uma cidade da Alemanha, fora infestada por ratos. Nesse meio tempo, chega à cidade um homem que se apresenta como sendo um “caçador de ratos”, portanto apto a resolver o problema. Prometeram-lhe uma boa paga, a ele, em troca do raticídio: uma moeda pela cabeça de cada rato. O forasteiro fechou acordo, posicionou sua flauta e, a flautear, hipnotizava os ratos e os atraía afogando-os no Rio Weser.

Vivenciando a história do Brasil, estamos também à procura de um flautista capaz de exterminar ratoneiros. Quem pode acabar com os ratoneiros? Mal comparando, nosso país está infestado também. É rato roendo por toda parte. A propósito, para rato, o Aurélio XXI registra, como coletivos, ratada e rataria.

Fico pensando, não sei por que motivo, nas últimas palavras atribuídas a Leonardo da Vinci: “Eu ofendi a Deus e à humanidade porque o meu trabalho não alcançou a qualidade que deveria ter alcançado”. Lembra Papa Francisco que “os rios não bebem a própria água, as árvores não comem seus frutos, o sol não brilha para si mesmo, as flores não exalam sua fragrância para si”. Lei da natureza. No entanto, os gestores do dinheiro público sugam o erário a mais não poderem. À semelhança do vigarista que suga dinheiro aos incautos, há os que acumulam riquezas à custa do contribuinte. E, ainda, impávidos, flauteiam pelos corredores de nossas instituições públicas, alardeando mundos e fundos. No fundo, porém, eles subestimam o eleitor, o caminhoneiro grevista, o cidadão que reivindica melhores condições de vida…

O Livro dos Provérbios, no capítulo 29, é lapidar com relação aos nossos governantes (em tradução adaptada): Sob o governo dos justos o povo vive contente; quando ímpios e corruptos assumem o governo, o povo se sente oprimido. “O rei justo faz florescer o seu reino; o homem avarento destrui-lo-á.” Sábias palavras atribuídas ao sábio rei Salomão.

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