Seminário IDE reúne comunidade

As Células Paroquiais de Evangelização expressam o desejo e a missão da Igreja Católica de voltar as fontes da fé

Semear a beleza do Evangelho. Este foi o tema e o convite do Seminário IDE realizado nos dias 27 e 28 de setembro na Paróquia Nossa Senhora Rainha. Ser como sementes e fazer brotar nas casas, nas ruas, locais de trabalho e nas comunidades a Palavra do Senhor. O evento foi organizado pelas Células Paróquias de Evangelização da igreja que cumprem ao chamado do Papa Francisco: “Vós tendes a vocação de ser uma semente mediante a qual a comunidade paroquial se interroga sobre o ser missionária, e por isso sentis irresistível dentro de vós o chamamento a ir ao encontro de todos para anunciar a beleza do Evangelho. Este desejo missionário exige, antes de tudo, a escuta da voz do Espírito Santo, que continua a falar à sua Igreja, impelindo-a a percorrer veredas às vezes pouco conhecidas, mas determinantes para o caminho da evangelização” (Discurso do Papa Francisco aos membros das Células Paroquiais de Evangelização, em setembro de 2015).

Mas o que são Células Paroquias? As Células paroquiais de evangelização são grupos de até 12 membros que se reúnem periodicamente – semanal ou quinzenal – nas casas de fiéis para louvor, evangelização e comunhão fraterna. Padre Aureo Nogueira de Freitas, pároco solidário, explica que as Células Paroquiais de Evangelização expressam o desejo e a missão da Igreja Católica de voltar as fontes da nossa fé, trazendo a consciência bonita, de uma igreja nas casas, no cotidiano das famílias, próxima as pessoas. “Atuam em sintonia com aquilo que a Igreja, a partir do Conselho Vaticano II e, também, aqui no Brasil, à luz das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja, pela CNBB, coloca no horizonte da missão, destes os tempos contemporâneos”.

Padre Márcio Antônio de Paiva, pároco solidário, lembrou que a descoberta de um grande amor é o que nos qualifica seguidores de Jesus. “Nós vivemos um momento atual, na história da humanidade, cheio de perplexidade. De um lado, nunca se viu tamanha evolução tecnológica, e de outro, aumentam as desigualdades e milhões de pessoas ainda morrem de fome. Por isso, a ideia de fazer esse seminário e manter a comunhão com nossa Igreja e com o Papa Francisco que nos mostra uma Igreja em saída que se descobre com o amor de Cristo”. O religioso também destacou a proposta da VI Assembleia do Povo de Deus, lançada pela Arquidiocese de Belo Horizonte, em agosto deste ano. “Somos convidados por esse projeto a atualizar nossos trabalhos pastorais e planos de evangelização.  Como proposta temos a reflexão sobre os desafios da cultura urbana. Nossa Igreja deve ser a casa da Palavra, do pão, do amor e da missão esses são os pilares desta VI APD. Em Jesus, a beleza do Evangelho se traduz na ternura de um Deus feito homem, que ama os seus até o fim. Então, nesta perspectiva de acreditar nas origens do nosso ser cristão que nos reunimos”.

Irmãs: Maria Cristina Passos Ferreira e Maria Fernanda Passos Ferreira “Acho muito importante saber como nos colocar para evangelizar. Cada um tem um caminho, por meio das ações, palavras e gestos e cada vez que nos envolvemos com ações deste tipo, estaremos aptos para transformar a nossa vida e de outras pessoas”, Maria Cristina Passos Ferreira, professora.

O Seminário contou com as palestras da Pedagoga e Catequista da Paróquia NSRainha, Bernadete Moura. Também com o Pe. Fábio Lopes Vieira, SCJ, Religioso e Padre da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus, Dehonianos, Pároco da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes, Formiga-MG e ainda  membro da Equipe de Consultores da Agência Católicos em Células, Brasil. E do missionário católico Naor Antonio Santos de Arruda, que exerce os ministérios de música, pregação e formação em Campo Grande na Comunidade Católica Boa Nova e em todo Brasil. Os palestrantes falaram sobre temas que buscaram esclarecer o conceito de Células e as diretrizes da Igreja Católica que impulsionam a proposta.

De acordo com Pe. Fabio Lopes Vieira, SCJ, a visão celular responde as exigências e as diretrizes da nova evangelização. Desde o Concílio Vaticano II e os posteriores documentos. Ela está voltada para a dimensão de recuperar a identidade evangelizadora na Igreja. “É uma graça de Deus poder ser uma paróquia em Células. Nós sabemos que vivemos em um mundo muito complexo, com vários desafios, como a cultura urbana, portanto, queremos mostrar por meio da visão da própria Igreja como vivenciar esse caminho.

A igreja existe para evangelizar. Essa é a sua missão. A Palavra de Deus sempre será a nossa força e fonte de fé. Estamos enraizados e firmes Nela, para que possamos levá-la neste mundo cada vez mais urbano, em suas diferentes realidades. Levar o anúncio da Palavra do Senhor para formar discípulos missionários é um caminho longo e desafiante, construído passo a passo nas comunidades. Porém, é possível, por meio das lideranças, padres e pessoas que estão engajadas dentro do corpo da paróquia”, afirmou.

Bernadete Moura lembrou que na preparação para o Terceiro Milênio,a Igreja realizou uma ação Evangelizadora, baseada em Hebreus e que tinha como lema: Evangelizar com o renovado ardor missionário – testemunhar Jesus Cristo em comunhão Fraterna.  “Nunca devemos esquecer do evangelizar com o sentimento que queima e pulsa em nosso coração, que é esse amor de Jesus”.

A catequista convidou as pessoas a repensarem o conceito que elas têm de Igreja e contemplar o seu mistério. “A palavra mistério tem inúmeras definições, em sua etimologia grega, significa o local onde se deve guardar o silêncio. E o silêncio, muitas vezes, pensamos que é algo pacifico, mas ele não é. É ativo, é o maravilhar-se”.

O missionário Naor Antonio Santos de Arruda explicou que Cristo percebeu em sua caminhada que precisava formar um discipulado, criar uma comunidade e escolheu seus apóstolos. Por meio da oração, Deus tocou seu coração e criou sua primeira célula com esses homens. “O que constrói as pessoas é o relacionamento e a proximidade. A visão celular é tirar do coração de Deus a intimidade e a graça que temos com Ele para retransmitir para as pessoas esse amor e sua Palavra. Nós vivemos na vida pastoral altos e baixos, o que é natural, e vamos aprendendo com isso. É importante não perdermos a visão de Jesus”.

Valdir de Castro – Coordenador da Pastoral da Acolhida O tema do Seminário IDE: Semear a beleza do Evangelho trouxe esse despertar no meu coração. Devemos ir até as pessoas e levar a Palavra do Senhor. Formações como essa nos possibilita aprender mais sobre a proposta de ser uma Paróquia em Células de Evangelização. A evangelizar meu irmão e irmã que acolhemos durante as celebrações.

Simone Coutinho Ferreira – Relações Públicas Esse é meu terceiro ano no grupo de Células Confraria em Cristo. É um aprendizado em cada encontro e vamos crescendo como pessoas. É um momento de entrega, de intimidade com Deus. Compartilhamos nossas experiências de vida, a fé, os ensinamentos que a Palavra do Senhor traz para nós. No fim de cada encontro é como se tivéssemos a chama do Espírito santo em nossos corações.

Quando surgiram as células?

Desde o início da Igreja Primitiva, as famílias reuniam-se nas casas: “E todos os dias não cessavam de ensinar e de pregar o Evangelho de Jesus Cristo no templo e nas casas” (At 5, 42). No Brasil, a Paróquia Espírito Santo, em São José dos Santos, implantou pioneiramente este sistema em 2004.O Papa Francisco, em 05 de setembro de 2015, reconheceu oficialmente as Células Paroquiais de Evangelização, com a aprovação definitiva dos estatutos.

Como funciona a reunião de célula?

Encontro (Acolhida): momento de interação dos participantes, em que o anfitrião abre seu lar aos irmãos de fé e há um lanche coletivo para socialização;

Exaltação (Louvor e Adoração): momento de louvor e adoração ao Senhor Deus, invocando Seu Santo Espírito e acalmando nosso coração;

Edificação (Ensino): período de partilhar a Palavra de Deus, onde lemos e aprofundamos o texto;

Evangelização (Ação Missionária): nesta parte da célula os membros são encorajados a saírem em ação missionária;

Entrega (Intercessão): momento de oração, em que os membros oram uns pelos outros, “intercedendo”, pedindo ao Senhor pelas suas necessidades.

Fotos: Lucinea Castro

 

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