Bem-aventurado o homem que, quando o Senhor vier buscá-lo, estiver preparado.

Perder, sem se perder.
A fé na ressurreição de Jesus Cristo nos permite associar três temas fundamentais da nossa vida em marcha: a imortalidade da alma, a ressurreição do corpo (tornado glorioso) e a salvação que recebemos de Deus em Jesus Cristo, por seu amor e misericórdia.
Certa vez Jesus disse à Marta: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá” (Jo 11,25). O grande desafio da fé é acreditar nesta verdade. Quando Marta ouviu dizer que Jesus estava próximo de sua casa, foi ao seu encontro. Já Maria, se fixou no luto e na tristeza. Isso nos mostra que há formas diferentes de se colocar diante do desafio da morte.
Uma delas, como fez Maria, é se tornar prisioneiro (a) da morte e das perdas, adotando a condição de paralisação diante da vida, em sofrimento desmedido. Outra é nos inspirarmos em Marta e aderirmos ao Senhor da Vida. Sua presença nos coloca em marcha, a despeito da dor e nos nutre na esperança.
“Pois já que Ele mesmo passou pela provação, está em condições de prestar socorro aos que serão provados” (Heb 2,18)
O sofrimento, diante da morte, se mede pela proporção da nossa aceitação do fato. O momento da morte não é o momento do “adeus”, mas sim o momento do “a Deus”, ou seja, do “para Deus”, pois aqueles que amamos e morreram, partiram para Deus e alcançaram uma nova condição existencial da qual ainda não participamos plenamente por estarmos atravessando a nossa jornada neste mundo.
O “a Deus” é o momento da difícil entrega da nossa parte do ente querido que se vai. É o momento em que – por vezes – vemos os muitos planos que foram idealizados e jamais serão realizados. Sentimos que a saudade dói, mas ela não pode ser confundida ou transformada em amargura. Ela torna-se sofrimento desmedido quando a morte vem acompanhada da ilusão de um fim absoluto.
Que desenvolvamos a coragem de descobrir nossa força interior, nossa fé no Cristo Ressuscitado; que possamos ampliar nossos horizontes e não desistir de amar. Que nossas recordações e a fé na ressurreição dos mortos vivam em nós e nos impulsionem a prosseguir sempre. Que saibamos viver intensamente cada instante desta vida terrena e aceitar o que não podemos mudar!
Que nossa esperança na Vida Eterna e a certeza do amor de Deus por nós nos tragam a paz hoje e sempre!
Gláucia Rezende Tavares e Eduardo Carlos Tavares

Veja também