Artigo – Sonhos compartilhados

Prof. Antônio de Oliveira
antonioliveira2011@live.com

Quem realiza é porque sonha. Cada um, a seu modo e a modo do que pretende, se de fato pretende, faz o sonho preceder à realidade, aos fatos que correspondam às suas ideias, tanto para o bem como para o mal. Assim, o poeta é um sonhador. O idealista também o é, como o é o empreendedor. O aluno sonha com a formatura. Ter um filho é sonho de muitos casais. O sonho de ganhar na loteria leva muita gente a jogar sempre. Candidato a cargo eletivo costuma sonhar com o poder e suas benesses. O brasileiro não é exigente. Mas precisa cada vez mais dos outros… e de sonhar, a exemplo de grandes sonhadores, como Dom Bosco, Martin Luther King, Nelson Mandela, Raul Seixas, o profeta Isaías, Jacó e sua escada entre o céu e a terra, Elvis Presley, Joana d’Arc.

Sonhos costumam ser individuais. Em geral, não se está contente com a realidade nacional: corrupção, violência, pobreza, saúde precária, rodovias abandonadas, tributação escorchante, impunidade das grandes para os grandes, mordomias oficializadas para marajás e maranis, problemas habitacionais, trânsito caótico, escola pública não universalizada, indígenas ameaçados, falta de estacionamento ou, em existindo, muito caro, e, se na rua, disputado a unha por flanelinhas, com a complacência dos cidadãos comuns e a cumplicidade de usuários e autoridades. Poluição, sujeira, pichação, muita pichação…

Apregoam-se melhorias, porém monocraticamente. Não são sonhadas coletiva e compartilhadamente. Elegemos e reelegemos coronéis do mando, jogadores, líderes religiosos, gente que aparece mais na mídia. Os objetivos nacionais não são bem definidos, muito menos as metas. O último sonho coletivo dos brasileiros foi quando das diretas-já, faz tempo. Daí para cá… Nem a Copa foi um sonho compartilhado.

Enquanto não sonharmos do tamanho do Brasil, coletiva e solidariamente, continuaremos sendo dominados por poderes autocratas, assentados no corporativismo e no troca-troca.

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