Artigo – “Ou isto ou aquilo”

Prof. Antônio de Oliveira
antonioliveira2011@live.com

Cecília Meireles escreveu “Ou isto ou aquilo; ou isto ou aquilo e vivo escolhendo o dia inteiro!” Cecília, poeta ou poetisa? A poetisa exigiu ser tratada de poeta por entender que a forma poetisa, gramaticalmente correta, desqualifica a mulher. Poetisa rima com papisa, mas “papam habemus”, temos papa. Sempre isto ou aquilo? Quem sabe, ou isto e aquilo, pois às vezes se pode “estar ao mesmo tempo nos dois lugares!”. É quando se tira a média em determinada equidistância dos pontos extremos. Uns dizem, por exemplo, que gramática nunca mais; outros pensam que gramática é tudo. Sempre tive vontade de saber todas as gramáticas de cor para poder infringir normas gramaticais de propósito, com conhecimento de causa, em favor do estilo, da fonética, do ritmo, da sintonia com o leitor. Como se dá na licença poética: dos poetas, das poetas e das poetisas.

Ataulfo Antes sentia saudade da professorinha que lhe ensinara o beabá, sentia saudade daquele tempo em que era feliz e não sabia. Antigamente se dizia alfabetização, depois se passou a dizer letramento. No seu desenvolvimento didático, no entanto, esse nome representa a tendência justamente de se distanciar do sistema elementar de aprender as primeiras letras e de soletrar. Por esse método global ensinam-se palavras inteiras, do todo para as partes, e se liga a escrita à visão concreta das coisas. Um aluno perguntou à professora qual a melhor maneira de aprender inglês. Ela respondeu: “It depends on a lot of things”. Nenhum método é mágico. Método é caminho e caminho se faz ao caminhar. Cada um, cada uma, deve caminhar com as pernas livres.

No restaurante, ou isto ou aquilo. Diante do guarda-roupa, ou esta ou aquela roupa. Por este ou por aquele caminho? Pergunta o taxista. Paro de fumar ou não paro: ou isto ou aquilo. Levo o guarda-chuva ou não levo. Conclui Cecília Meireles: “Mas não consegui entender ainda qual é melhor: se é isto ou aquilo”. Eu também não.

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