Artigo – “Meio Ambiente desvirginado”

Prof. Antônio de Oliveira
antonioliveira2011@live.com

Com motosserras, machados, foices e enxadas abrem-se imensas clareiras na mata, convertem-se em pastagens e agronegócios ao rés do solo o que era vertical. Clareira tem a ver com claro, claridade, clarear, clarejar, aclarar, clareamento, clareação. Todas essas são palavras de conotação positiva, mas uma clareira é um desnudamento da natureza. Desvirginada, ao pé da letra, sem o verde, nosso olhar já não mais descansa por bem das águas e nascentes que tinha, e que não tem mais.

Além disso, um reflorestamento homogêneo não é melhor, do ponto de vista ecológico, do que uma floresta nativa, emaranhada, cheia de árvores, cipoais e samambaias, donde brotam nascentes, filetes, cursos d’água, sem submissão à ditadura preestabelecida da simetria técnica. Será que o ruído ensurdecedor das motosserras vão nos permitir, ao menos, proclamar que 5 de junho é Dia do Meio Ambiente?

Com relação a queimadas, há um versículo muito atual no capítulo 22:6 do Livro do Êxodo, no Antigo Testamento: “Se um fogo, se alastrando, irromper línguas de fogo e pegar nos espinhos, e queimar as medas de trigo ou a seara, aquele que provocou o incêndio terá que ressarcir o dano”. Assim, que dizer hoje dos tais incêndios criminosos ou, então, provocados indiretamente por negligência?

A palavra ecologia passou a ser empregada normalmente há algumas décadas, mas seguiu uma formação clássica, do grego, estudo da casa, e, por extensão, do lugar onde se vive, em última análise, do meio ambiente: árvores, rios, lagos, bichos, plantas. A palavra economia, irmã mais velha de ecologia, no início, cuidava da administração da casa. Economia doméstica, etimologicamente, seria um pleonasmo, assim como hábitat natural. Economia também nos remete a outra palavra grega, ecônomo, ao pé da letra, aquele que administra um lar. Em ambas as palavras, ecologia e economia, a raiz é a mesma, casa. Seja a casa onde moramos seja a casa da humanidade.

Veja também