Artigo – “Golpes”

Prof. Antônio de Oliveira
antonioliveira2011@live.com

No poema “Especulações em torno da palavra homem”, Carlos Drummond começa especulando: “Mas que coisa é homem, que há sob o nome?” Arrisco-me a especular sobre o que há sob o nome golpe, incluindo golpe de estado, subversão contra a “ordem” vigente e tomada de poder por indivíduo ou grupo. Para se alcançar êxito, pode depender de outros golpes, golpe de mestre, mediante ação audaciosa e bem-sucedida; golpe de vista, pela capacidade de observar com rapidez e precisão; golpe da sorte, decorrente de acontecimento súbito e inesperado.

Difícil computar as horas de debates inflamados o Congresso consome em assuntos menos relevantes ou de interesse próprio. Palavras são palavras, mas podem decidir a vida das pessoas quando se bate o martelo. O soltar a voz da araponga se diz golpear. Esse pássaro soante, também conhecido como ferreiro, ferrador ou pássaro-campana, quando canta, lembra o som do bater de ferro em uma bigorna. Já o araponga escuta e grava.

A Inconfidência Mineira foi um movimento subversivo de idealistas, sem o devido segredo nem a devida preparação. O grande ícone desse movimento, Tiradentes, foi enforcado, no Rio de Janeiro, no dia 21 de abril de 1792. O Brasil ainda não era considerado independente. Frustraram-se todas as ambições.

Segundo Porto Seguro, foram as decisões tomadas pelas cortes, os “insultos atirados aos deputados brasileiros no recinto das mesmas cortes pelo público das galerias, e pela plebe nas ruas, que agora fizeram cogular todas as medidas”. Às 16h30 do dia sete de setembro de 1822, esquecendo o título que aceitara de Defensor Perpétuo do Brasil, o Príncipe Regente, junto ao ribeiro Ipiranga, lançou o brado de Independência ou Morte. Um golpe que é comemorado com um feriado. A história é uma sequência de golpes. A maioria dos deputados, muitos, candidatos a reeleição, aprovou o pacote com dez medidas contra a corrupção, desfigurando o texto original. E o povo?… “Apenas um detalhe”.

Veja também