Artigo – A ditadura dos segundos

Prof. Antônio de Oliveira
antonioliveira2011@live.com

Afixado na parede um relógio digital a marcar horas, minutos, segundos.
A rapidez dos segundos no mostrador luminoso impressiona. Não mais que um clique. Leves sopros seguidos. Ininterruptamente. O tempo passa, o tempo voa. Eis que, paralelamente ao tempo cronológico, existe o tempo psicológico. “Essas são as horas da gente. As outras, de todo tempo, são as horas de todos.” O tempo passa devagar quando vivemos momentos difíceis, de espera, de perdas. Passa rápido, fugaz, quando estamos descontraídos e alegres, quando a realidade, então patente, continua latente. “As coisas não estão no espaço; as coisas estão é no tempo”.

Enquanto isso, aqui e agora, os segundos estão passando. O tempo, o tempo não para. Não para não. Não para. Mas, discordando de Cazuza, não se veja o futuro repetir o passado. Cada dia o sol nasce, e não se repete. Simplesmente reabastece o seu brilho, durante a noite, tendo a lua como vigilante suplente. Hum, mesmo assim pode acontecer tanta coisa da noite para o dia, de uma hora para outra.

De fato, há situações em que o tempo não passa. O não fazer nada, por exemplo. Outras vezes, a ansiedade, sensação de receio e de apreensão, sem causa evidente, e a que se agregam fenômenos somáticos como taquicardia, sudorese, tremor nas mãos, dor de cabeça, secura na boca, desarranjo intestinal ou prisão de ventre, “coração bem batendo”. O tempo também não passa para o presidiário nem para o acamado. Quando, então, é o caso das horas infindas.

Tempo e espaço são chamados por Kant de intuições: o espaço, forma de sensibilidade externa; o tempo, forma da sensibilidade interna pela qual percebemos os fatos conscientemente, uns depois dos outros, como sucessivos. Também percebemos, por correlações, uns fatos por causa de outros, quando a posteriori. Espaço e tempo constituem o binômio básico do universo de cada pessoa. Para além disso: “Mundo, mundo, vasto mundo… mais vasto é meu coração”.

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