Artigo – “Discriminações disfarçadas”

Prof. Antônio de Oliveira
antonioliveira2011@live.com

Destacar pode ter caráter discriminatório. Caso do craque Neymar. Minha netinha já diz Reimar. Reimar que podia ter reinado na seleção brasileira. Mas futebol não é uma competição individual. São onze jogadores, incluindo o goleiro. Se a equipe não estiver coesa, em vão uma estrela brilhará sozinha. Se brilhar. Neymar é destaque, mas há que pensar na equipe. É de nossa índole, notadamente da mídia apelativa, sobre-estimar a atuação de uma pessoa, em detrimento de outras pessoas que colaborem para o sucesso daquela pessoa. Quando todo o time se empenha em ganhar, cada jogador pode fazer a diferença, seja furando um gol decisivo, acertando um pênalti, ou o goleiro pegando um pênalti.

Outros casos. Muitos leitores pautam sua leitura de livros e sua aquisição pela lista dos mais vendidos, best-sellers, sucessos de livraria, nem sempre entre os melhores. O mercado determina o nível de qualidade. Nas eleições, a vitória depende basicamente do discurso, da propaganda, de marketing e de marqueteiros, e de financiamentos nem sempre lícitos. Assim em quase tudo. Veja-se o disparate entre o que ganha um funcionário público mais graduado, ministro, deputado, etc. em comparação com a maioria de profissionais e trabalhadores que não podem aumentar por conta própria o próprio salário nem as vantagens do cargo.

A palavra inglesa ranking é traduzida por classificação. Temos a mania de melhor/maior do mundo. Nossa seleção, que perdeu de 7×1 na Copa de 2014, ainda vive na ilusão e na falta de austeridade em razão de tanta mordomia e idolatria de garotos-propaganda. O corpo se entrega, amolece. Quando da Copa do Mundo descem os deuses do Olimpo, ungidos heróis pelos formadores de opinião pública. Nossos governantes, políticos e autoridades vivem a expensas do contribuinte como se fôssemos o país mais desenvolvido do mundo. Mania de superdimensionar potencialidades nem sempre operacionalizadas e postas à prova.

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