Agosto, mês vocacional

A vocação do empresário é um chamado humano e cristão genuíno.

A ADCE destaca a vocação do empresário, como vocação dos cristãos a ser celebrada no quarto domingo de agosto.

Inspirada na publicação “A Vocação do Líder Empresarial – Uma Reflexão”, elaborado pelo Conselho Pontifício de Justiça e Paz do Vaticano (CPJP) e lançada no Brasil, em Belo Horizonte, no dia 19 de julho de 2013, durante o Congresso Mundial de Universidades Católicas (CMUC).

Destacamos a seguir algumas citações relacionadas ao tema, selecionadas da publicação para reflexão de nossos associados – empresários e dirigentes cristãos de empresas.

A vocação do empresário é um chamado humano e cristão genuíno. A sua importância na vida da Igreja e na economia mundial dificilmente pode ser subestimada. Os líderes empresariais são chamados a conceber e desenvolver bens e serviços para clientes e comunidades através de uma forma de economia de mercado. Para que tais economias atinjam o seu objetivo, isto é, a promoção do bem comum, elas devem ser estruturadas em ideias baseadas na verdade, na fidelidade aos compromissos, na liberdade e na criatividade.

Os líderes empresariais têm um papel especial a desempenhar no desenrolar da criação. Não só fornecem bens e serviços e constantemente os melhoram através da inovação e aproveitando a ciência e a tecnologia, mas também ajudam a moldar organizações que estenderão este trabalho em direção ao futuro. O Beato João Paulo II lembrou-nos na Laborem Exercens “O homem, criado à imagem de Deus, participa mediante o seu trabalho na obra do Criador e, num certo sentido, continua, na medida das suas possibilidades, a desenvolvê-la e a completá-la, progredindo cada vez mais na descoberta dos recursos e dos valores contidos em tudo aquilo que foi criado”.

A construção de uma organização produtiva é um caminho primário pelo qual os responsáveis empresariais podem partilhar do desenrolar do trabalho da criação. Quando se dão conta de que participam no trabalho do Criador, através do exercício da administração de organizações produtivas, poderão começar a ganhar consciência da grandeza e da maravilhosa responsabilidade da sua vocação.

As muitas pressões que os líderes empresariais sofrem podem levá-los a esquecerem o chamamento do Evangelho nas suas atividades profissionais quotidianas. Podem seduzi-los a acreditar, falsamente, que as suas vidas profissionais são incompatíveis com as suas vidas espirituais. Colocam excessiva confiança nos recursos materiais e/ou no sucesso mundano. Quando isto acontece, os líderes empresariais arriscam-se a valorizarem o estatuto e a fama mais do que as realizações duradouras, e, consequentemente, arriscam-se a perder o seu reto juízo. Os líderes empresariais podem ser tentados, quer por egocentrismo, orgulho, ganância ou ansiedade, a reduzir a finalidade do negócio apenas a maximizar o lucro, a aumentar a quota de mercado ou a qualquer outro bem exclusivamente econômico. Assim, o bem que uma economia de mercado pode proporcionar aos indivíduos e à sociedade pode ficar reduzido ou distorcido.

Os líderes empresariais bem integrados podem responder às exigências rigorosas que lhes são colocadas com uma atitude de serviço, recordando Jesus a lavar os pés dos Seus discípulos. A liderança neste espírito de serviço é diferente do exercício autoritário do poder, demasiadamente frequente nas organizações empresariais. Ela distingue os executivos cristãos e o ambiente de trabalho que eles procuram promover. Ao viverem as responsabilidades empresariais deste modo, ao desenvolverem a verdadeira liderança de serviço, eles partilham graciosamente a sua perícia e as suas capacidades. Ao lavarem, em sentido figurado, os pés dos seus colaboradores, os líderes empresariais respondem mais plenamente ao seu nobre chamamento.

Uma parte importante da vocação do líder empresarial está na prática dos princípios ético-sociais na condução da marcha normal do mundo dos negócios. Isto implica ver com clareza a situação, julgar com base nos princípios que promovem o desenvolvimento integral das pessoas, e agir de modo a aplicar esses princípios à luz das circunstâncias únicas de cada um e de uma maneira consistente com o ensinamento da Fé.

Os líderes empresariais cristãos são homens e mulheres de ação que demonstram um autêntico espírito empreendedor, que reconhecem a responsabilidade dada por Deus para aceitarem generosa e fielmente a sua vocação. Estes líderes estão motivados por muito mais do que o sucesso financeiro, o interesse próprio esclarecido, ou um contrato social abstrato, como é muitas vezes prescrito pela literatura econômica e pelos livros de gestão. A fé permite que os líderes empresariais cristãos vejam um mundo muito mais amplo, um mundo no qual se está a realizar o trabalho de Deus, e onde os seus interesses e desejos individuais não são a única força motriz.

Os empreendedores, os gestores e todos os que trabalham na atividade empresarial devem ser encorajados a reconhecer o seu trabalho como uma autêntica vocação e a responder ao chamado de Deus no espírito de verdadeiros discípulos. Ao fazer isto, comprometem-se na nobre tarefa de servirem os seus irmãos e irmãs e de edificarem o Reino de Deus.

Ao compartilhar parte do conteúdo da publicação do CPJP, relacionada ao tema vocacional, buscamos oferecer inspiração e encorajamento aos empresários e dirigentes de empresas, renovando a fé em dias melhores para todos.

Fraternalmente,

Sérgio Frade
ADCE-MG, 16.08.2018

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