O Que São Células Paroquiais de Evangelização

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“Vós tendes a vocação de ser uma semente mediante a qual a comunidade paroquial se interroga sobre o ser missionária, e por isso sentis irresistível dentro de vós o chamamento a ir ao encontro de todos para anunciar a beleza do Evangelho. Este desejo missionário exige, antes de tudo, a escuta da voz do Espírito Santo, que continua a falar à sua Igreja, impelindo-a a percorrer veredas às vezes pouco conhecidas, mas determinantes para o caminho da evangelização. Permanecer sempre aberto a esta escuta e prestar atenção a fim de que nunca se esgote devido ao cansaço ou às dificuldades do momento, é a condição para ser fiel à Palavra do Senhor e, ao mesmo tempo, constitui um encorajamento a superar os vários obstáculos que se encontram no caminho da evangelização” (Papa Francisco às Células de Evangelização, em 5 de setembro de 2015).

“Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, ali eu estou no meio deles.”

  Mt 18,20

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“Constata-se que nos últimos anos está crescendo a espiritualidade de comunhão e que, com diversas metodologias, não poucos esforços tem sido feitos para levar os leigos a se integrar nas pequenas comunidades eclesiais, que vão mostrando frutos abundantes.
Nas pequenas comunidades eclesiais temos um meio privilegiado para chegar a Nova Evangelização e para chegar a que os batizados vivam como autênticos discípulos e missionários de Cristo”.
DAp. 307

 

1 – CONCEITO DE CÉLULA

Célula: É a unidade biológica fundamental de um organismo capaz de vida independente e de doar essa vida através de um processo de multiplicação. Ela contém os ingredientes básicos do organismo a que pertence.

Célula Paroquial de Evangelização: é um grupo pequeno de leigos ligados à paróquia e a seus pastores, e entre si por uma relação de proximidade (“oikos”), e que se reúne nas casas, que evangeliza e que acompanha os novos discípulos de Jesus, que de evangelizados se tornam evangelizadores. Deste modo, a célula cresce e se multiplica.

2 – CÉLULA É CORPO SAGRADO DE CRISTO

Sendo a célula biológica uma conjunção ordenada, harmônica e articulada de elementos materiais animada pela vida, com vista a sobreviver e multiplicar-se, a Células Paroquias de Evangelização são, pois, organismos vivos do Corpo de Cristo, comprometidos com o Evangelho e impulsionados pelo Espírito Santo, onde se pode viver o “amai-vos uns aos outros” (Jo 13,34-35) e o “onde dois ou três estiverem em meu nome, estarei lá” (Mt 18,20).Como fruto desta comunhão no Amor de Cristo, ela gera novos membros para o Corpo e se multiplica.

Assim, as Células, como parte do Corpo de Cristo, tornam presente Jesus, o Emanuel, Deus Conosco!

Como unidades vivas do Corpo de Cristo, as Células continuam três tarefas que Jesus realizou entre os homens e deixou à sua Igreja:

1. A Propiciação – Jesus a cumpriu plenamente em Seu corpo físico, pois conforme Romanos 3, 2,4 fomos “justificados gratuitamente por sua graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus.” Mas cumpre à Igreja, a cada batizado, fazer Memória através do múnus sacerdotal dado a cada cristão.

2. O anúncio do Reino – Jesus a cumpriu parcialmente em seu corpo físico conforme Lc 8,1: ”E aconteceu, depois disto, que andava de cidade em cidade, e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do reino de Deus; e os doze iam com ele.”Cumpre à Igreja, sucessora dos doze, continuar.

3. O envio da Igreja – Através da Igreja, Seu corpo místico, Jesus pode então continuar a cumprir a tarefa do anúncio do Reino, conforme Lucas 9, 2: “E enviou-os a pregar o reino de Deus, e a curar os enfermos”., e Lucas 10, 8-9: ”E curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: É chegado a vós o Reino de Deus”.

A CPE anuncia e torna palpável, visível e experiencial o Reino entre nós, como parte do novo Corpo de Cristo!

Tendo ressuscitado e ascendido aos Céus, Jesus assume agora um novo Corpo. a Igreja. Mas como é este Corpo? Seu protótipo é a comunidade dos 12 discípulos, conforme Marcos 3, 13-14: ”E subiu ao monte, e chamou para si os que ele quis; e vieram a ele. E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar”.

Com base neste modelo inicial de pequenas comunidades missionárias de Jesus, a CPE quer continuar a Missão que Cristo deixou a sua Igreja.

Quando falamos de uma Célula Eclesial de Evangelização, estamos, pois, tratando do Corpo de Cristo presente em pequenas comunidades (a CPE é comunidade cristã e não uma mera reunião!) nos lares de cristãos, e que existem para cumprir grandes propósitos que Cristo deixou a sua Igreja:

– Comunhão fraterna (Koinonia)
– Glorificação de Deus por meio de Cristo (Liturgia)
– Edificação mútua nas Escrituras Sagradas (Catequese)
– Evangelização (Martiria)
– Cuidado uns com os outros (Diakonia)

Mas deve-se salientar que o primeiro elemento – a Comunhão fraterna (Koinonia) – é que dá base, força e condições para que se realizem os demais.

O projeto CPE pressupõe a comunhão entre seus membros – mas não uma comunhão fraterna comum, por melhor que seja! A CPE se baseia na Comunhão baseada em Cristo, pois deve ser uma comunidade cristã discipuladora e evangelizadora, que cumpre propósitos de Cristo! Ela, em suma, busca reproduzir a célula inicial de comunhão de amor extremo que Cristo teve com seus Apóstolos – os quais enviou para multiplicar sua Missão até os dias de hoje!

3 – JESUS É O CENTRO!

Aspecto essencial da CPE: ela é uma comunhão centralizada em Cristo e em sua missão.

Torna-se importante esclarecer o que a CPE não é, para evitar equívocos prejudiciais:

A) Grupo de devoção ou de oração – Um dos estágios da reunião da CPE é a oração, e sem ela tudo se tornará fraco e ineficaz: mas CPE não é apenas grupo de oração.

B) Grupo bíblico – A CPE toma como base a partilha da Palavra para se edificar – mas a CPE não se resume a estudo da Palavra.

C) Grupo de formação ou de doutrina – Na célula acontece o Discipulado dos membros de acordo com a doutrina católica, mas ela não é apenas isto, um grupo de Catequese.

D) Pastoral ou Ministério – A CPE busca cumprir os propósitos de Deus e levar seus membros a serviços e ministérios eclesisais: mas é sobretudo uma comunidade onde o “ser” vem antes do “fazer”. A CPE não é simplesmente um grupo de trabalho ou serviço.

E) Grupo Social – CPE não é um grupo de cristãos que se gostam, talvez até alheio ao corpo eclesial. A CPE é base vivificante deste Corpo; ela é uma pequena comunidade que tem a multiplicação do Corpo de Cristo como objetivo.

4 – POR QUE CÉLULAS DE EVANGELIZAÇÃO?

“Ide ao mundo inteiro, proclamai o Evangelho a todas as criaturas”. Mc 16,15
“Todo o poder me foi dado no céu e na terra. Ide, então, fazei de todos os povos discípulos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardarem tudo o que vos mandei. Eis que estarei convosco todos os dias até o fim dos tempos”. Mt 28,18-20

Por que “a Igreja existe para evangelizar”, a CPE dá vida a esse mandato fundamental de compartilhar Jesus com o outro.
Mas, sendo a Evangelização, como define Santa Tereza de Calcutá, “ter Jesus no coração e levar Jesus ao coração do irmão!”, a CPE procura, no primeiro momento, levar ao encontro pessoal com Cristo, conforme salienta o Papa Francisco e o Documento de Aparecida: “Os esforços pastorais orientados para o encontro com Jesus Cristo vivo deram e continuam dando frutos. Entre outros, destacamos os seguintes:
e) Crescem os esforços de renovação pastoral nas paróquias, favorecendo um encontro com Cristo vivo mediante diversos métodos de nova evangelização que se transformam em comunidade de comunidades evangelizadas e missionárias”. (DAp, 99e)

A CPE vem pois atender à intuição de uma corajosa ação renovadora das paróquias, transformando-a em comunidade de comunidades formadora de discípulos-missionários, ardente desejo manifestado nos Documentos de Aparecida e na Evangelii Gaudium. Diz-nos o Papa Francisco:

“Através de todas as suas atividades, a paróquia incentiva e forma os seus membros para serem agentes da evangelização. É comunidade de comunidades, santuário onde os sedentos vão beber para continuarem a caminhar, e centro de constante envio missionário. Temos, porém, de reconhecer que o apelo à revisão e renovação das paróquias ainda não deu suficientemente fruto, tornando-as ainda mais próximas das pessoas, sendo âmbitos de viva comunhão e participação e orientando-as completamente para a missão”. (Evangelii Gaudium, n. 28)

“A renovação das paróquias … exige a reformulação de suas estruturas, para que seja uma rede de comunidades e grupos, capazes de se articular conseguindo que seus membros se sintam realmente discípulos e missionários de Jesus Cristo em comunhão”. (DAp, 172)

Não podemos deixar de citar o sonho da Nova Evangelização de João Paulo II, numa de suas últimas cartas apostólicas:

“Ao longo destes anos, muitas vezes repeti o apelo à nova evangelização; e faço-o agora uma vez mais para inculcar sobretudo que é preciso reacender em nós o zelo das origens, deixando-nos invadir pelo ardor da pregação apostólica que se seguiu ao Pentecostes. Devemos reviver em nós o sentimento ardente de Paulo que o levava a exclamar: « Ai de mim se não evangelizar! » (1 Cor 9,16).”

Esta paixão não deixará de suscitar na Igreja uma nova missionariedade, que não poderá ser delegada a um grupo de “especialistas”, mas deverá corresponsabilizar todos os membros do povo de Deus. Quem verdadeiramente encontrou Cristo, não pode guardá-Lo para si; tem de o anunciar. É preciso um novo ímpeto apostólico, vivido como compromisso diário das comunidades e grupos cristãos.

Terminamos este tópico importante com “o sonho da Papa Francisco”, expresso na Evangelii Gaudium:

“Uma renovação eclesial inadiável. Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à auto-preservação. A reforma das estruturas, que a conversão pastoral exige, só se pode entender neste sentido: fazer com que todas elas se tornem mais missionárias, que a pastoral ordinária em todas as suas instâncias seja mais comunicativa e aberta, que coloque os agentes pastorais em atitude constante de “saída” e, assim, favoreça a resposta positiva de todos aqueles a quem Jesus oferece a sua amizade. Como dizia João Paulo II aos Bispos da Oceânia, “toda a renovação na Igreja há de ter como alvo a missão, para não cair vítima duma espécie de introversão eclesial”.

5 – POR QUE CÉLULAS PAROQUIAIS?

O Sistema de Células Paroquiais de Evangelização – SCPE – acontece na paróquia, que é “a Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos e de suas filhas”.

Mas a paróquia precisa de novo impulso para enfrentar a realidade atual: o Cardeal George Basil Hume disse, com ousadia, mas eficácia: “A paróquia é um gigante adormecido”.
Assim, o ambiente ideal para o nascimento e o desenvolvimento das pequenas comunidades é a paróquia, para que seja vivificada e renovada pela nova evangelização das CPEs.
Por isso, o SCPE visa promover nos seus destinatários um maduro sentido de pertença à paróquia, e uma profunda comunhão e colaboração com todos membros da comunidade paroquial, visando que todos venham desenvolver a tarefa de evangelizar.
A experiência tem mostrado que as CP se adaptam a todo ambiente, ricos ou modestos, na Amazônia e na Europa. A Igreja Católica tem, portanto, na presença generalizada da paróquia, um potencial universal extraordinário para a “Nova Evangelização”.
Como a evangelização é essencial para a paróquia, o pároco está no núcleo do SCPE, com a corresponsabilidade de outros sacerdotes e dos leigos.

6 – POR QUE PEQUENOS GRUPOS?

A importância do pequeno grupo como lugar de crescimento e vivência da fé é salientada pelo Catecismo, quando dá grande valor à Igreja Doméstica, no item 1655:
“Cristo quis nascer e crescer no seio da Sagrada Família de José e de Maria. A Igreja outra coisa não é senão a «família de Deus». Desde as suas origens, o núcleo aglutinante da Igreja era, muitas vezes, constituído por aqueles que, «com toda a sua casa», se tinham tornado crentes». Quando se convertiam, desejavam que também «toda a sua casa» fosse salva. Estas famílias, que passaram a ser crentes, eram pequenas ilhas de vida cristã no meio dum mundo descrente.”
Hoje, a idéia dos pequenos grupos para renovar paróquias tem sido muito defendida na Igreja. Trata-se das comunidades a que Paulo VI já se refere na Evangelli Nuntiandi N 58: Essas comunidades serão um lugar de evangelização, para benefício da comunidade maior, especialmente as igrejas, e esperança para a Igreja universal. Os pequenos também grupos se inscrevem no dinamismo da renovação da paróquia descrito por João Paulo II em “Christifideles laici”, nos N 26-27, e no Documento de Aparecida e na Evangelii Gaudium.

Karl Rahner: “A Igreja existirá somente renovando-se continuamente através da livre decisão de fé e da formação comunitária do indivíduo no meio de uma sociedade secular não a priori mergulhada no cristianismo”.
Homens e mulheres, em comunhão e apaixonados por Jesus e motivados pela evangelização, podem transformar uma comunidade de batizados desmotivada e ausente em uma “Paróquia em chamas”!
Assim, a CPE pode ser um instrumento de renovação da vitalidade da paróquia: um pequeno grupo de pessoas em relação fraterna, que procura fazer discípulos e evangelizar, e desempenhar seu ministério através de sua relação quotidiana – e em constante multiplicação.
Nessas pequenas comunidades que se reúnem nas casas deve acontecer um processo simples e eficaz de discipulado, despertando seus membros para uma vivência concreta da Eucaristia e para a missão, conforme o importantíssimo protagonismo dos batizados, assim enunciado no Catecismo, N 900:
“Porque, como todos os fiéis, são por Deus encarregados do apostolado, em virtude do Batismo e da Confirmação, os leigos têm o dever e gozam do direito, individualmente ou agrupados em associações, de trabalhar para que a mensagem divina da salvação seja conhecida e recebida por todos os homens e por toda a terra. Este dever é ainda mais urgente quando só por eles podem os homens receber o Evangelho e conhecer Cristo. Nas comunidades eclesiais, a sua ação é tão necessária que, sem ela, o apostolado dos pastores não pode, a maior parte das vezes, alcançar pleno efeito.”

ALGUMAS VANTAGENS DO PEQUENO GRUPO:

1. É FLEXÍVEL, VERSÁTIL E ABRANGENTE
2. É PESSOAL
3. É UM MEIO DE EVANGELIZAÇÃO EFICIENTE
4. REQUER MENORES EXIGÊNCIAS E REQUISITOS PARA A LIDERANÇA

7 – POR QUE NAS CASAS?

A evangelização pelo SCPE reproduz a do início da Igreja, que se reunia no Templo e nas casas, conforme o livro de Atos:
“Diariamente, todos frequentavam o Templo, partiam o pão pelas casas e, unidos, tomavam a refeição com alegria e simplicidade de coração. Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo. E, cada dia, o Senhor acrescentava ao seu número mais pessoas que seriam salvas.” At 2,46-47
Outro versículo dos Atos sintetiza o estilo de vida da Igreja primitiva:
“E, todos os dias, unidos, no pátio do Templo e de casa em casa, eles continuavam a ensinar e a anunciar a boa notícia a respeito de Jesus, o Messias.” At 5, 42
Bento XVI comenta:
“São mencionados dois lugares de vida da Igreja nascente: para a pregação e a oração, reúnem-se na Templo, que continua a ser considerado e aceito como a casa da Palavra de Deus e da oração; por sua vez, a fração do pão – o novo centro “cultual” da existência dos fiéis – tem lugar nas casas como lugares da assembléia e da comunhão graças ao Senhor ressuscitado”. Bento XVI – Jesus de Nazaré, vol II
As casas eram assim Igreja e local de evangelização, o que possibilitou uma grande penetração no mundo e crescimento da Igreja, pois cada cristão e cada casa era um polo evangelizador. Com as perseguições e a destruição do Templo, foi somente nas casas que se baseou a extraordinária sobrevivência e difusão do cristianismo, até a conversão de Constantino, no século IV.
Hoje, no mundo, prática e novamente pagão, esse retomar a estratégia inicial da Igreja “nas casas” e no Templo se mostra inspiração do Espírito! Note-se a grande característica inicial – ela conta com o leigo assumindo protagonismo na missão de discípulo evangelizador!
Outra grande vantagem da “Igreja que se reúne nas casas” é que ela torna palpável, visível e real a Fé vivida pelos cristãos em sua vida. Trata-se de um testemunho vivo e visível – e é isto o que mais evangeliza, conforme Paulo VI. Ali se poderá “ver” e “saborear” a Boa Nova de Cristo, tornando-se também escola de discípulos que vivem a Fé, a Esperança e o Amor mútuo, em Cristo! Não há nas Células “nas casas” apenas o Anúncio, mas a Fé “encarnada”, concreta, que gera uma comunhão feliz e fecunda!

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