Por uma cultura da visitação

Por Pe. Matias Soares

 

Uma das mais belas experiências da vida pastoral dos presbíteros é a visita aos doentes e enfermos. Graças a Deus, essa sempre tem sido uma prática comum na minha vida sacerdotal e na de muitos outros ministros ordenados para servir ao povo de Deus. Muitos leigos e leigas também cultivam essa rica experiência na vivência da fé cristã.

Penso que deveríamos fomentar bem mais essa atitude dentro de nossas redes de comunidades, pastorais, círculos bíblicos, movimentos e grupos diversos! Promover a prática até consolidar uma “cultura da visitação”! Uma comunidade evangelizada é aquela que, pela experiência do amor de Deus, superou o individualismo e a indiferença diante do sofrimento do próximo. Essa é uma das posturas teológico-pastorais por excelência. Deus sempre visitou o seu povo, por seus mediadores e, especialmente, através do seu Filho, Jesus Cristo. Jesus visitava as pessoas: a sogra de Pedro, que estava enferma; Marta e Maria, que estavam enlutadas pela morte do irmão Lázaro; Zaqueu que estava perdido numa vida sem imoral.

Nas sociedades atuais em que há os fenômenos do corre corre, do individualismo, da indiferença ao outro e do narcisismo exacerbado, as pessoas estão perdendo a sensibilidade e a sabedoria que brota do contemplar o rosto outro, principalmente o dos pobres, sofredores e marginalizados, a face de quem se encontra fragilizado. O rosto do outro nos interpela ética e fraternalmente, pois com ele comunicamos o que sentimos e captamos o que outro sente.

Talvez seja uma das mais inquietantes lições da vida é a atenção dada a quem sofre! Visitemos um hospital, um presídio, um morador de rua, um abrigo, um idoso abandonado pelos próprios familiares, uma Cracolândia, um prostíbulo, um lugar que acolhe crianças abandonadas. São lugares onde encontramos os mais pobres entre os pobres.

Uma visita é sempre um encontro entre pessoas, por isso é portadora de afeto, comunhão e esperança. No contexto em que vivemos, muitas vezes, o mais precioso a ser levado por um cristão, ou outras pessoas de boa vontade, é o amor que se faz atenção e partilha de si; a misericórdia gratuita com compreende e acolhe; o perdão de Deus que consola, restaura e fortalece. O mundo necessita de compaixão!

Comecemos em nossas casas, bairros, comunidades, igrejas, ambientes de trabalho e estudo. Uma prática simples, descomplicada e personalizada. O encontro fraterno existe apenas na relação eu-tu. Os que viveram e pensaram bem estão certos: Só o amor pode salvar o mundo! Permitam-me acrescentar: E a cada um de nós. Assim o seja!

 

*Publicado pelo Observatório da Evangelização

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