O LIVRO CAINDO N’ALMA

Prof. Antônio de Oliveira

antonioliveira2011@live.com

Do latim, lectura, de legere, de início teve o sentido de colher, escolher. Vale também escolher o livro semeado. Isso depende da qualidade da semente. Consta que até a Idade Média a leitura era feita em voz alta. Mas Santo Agostinho relata de seu ídolo, Santo Ambrósio, morto em 397: “Quando lia, conduzia os olhos pelas páginas, e seu coração procurava o sentido, mas sua voz e língua silenciavam”.

Existe a expressão “devorador de livros”. Na verdade, ler é como comer. O profeta Ezequiel usou esta expressão, literalmente: Come o livro! E dele se alimentando, encher-se-ão as tuas entranhas, e a tua boca se tornará doce como mel. Os pensamentos assim digeridos, isto é, meditados e assimilados, brotarão e produzirão frutos proveitosos em palavras amadurecidas.

Para Monteiro Lobato, um país se faz com homens e livros. Homens de mente e coração abertos e livros incorporados. Segundo Castro Alves, em O Livro e a América: “… na impaciência / Desta sede de saber, / Como as aves do deserto – / As almas buscam beber… / Oh! Bendito o que semeia / Livros… Livros à mão cheia… / E manda o povo pensar! / O livro caindo n’alma, / É germe – que faz a palma, / é chuva – que faz o mar.” Para Machado de Assis: “Palavra puxa palavra, uma ideia puxa outra. E assim se faz um livro, um governo ou uma revolução”. Um livro é como um jardim transportado no bolso. É o que diz a sabedoria chinesa. Aposto que você já ouviu alguém dizer: “esse livro mudou minha vida”. Livros best-seller, não necessariamente novos, clássicos.

Seja interminável a busca pela próxima leitura. Concluída a leitura de um livro, momentaneamente considerado inigualável, sempre haja um ou mais na fila de espera. Se o livro seguinte não é melhor que o anterior, é sempre diferente e em geral transporta a gente até outros mundos. Voo barato e rápido. Ou na velocidade que se imprima à leitura. Sempre em busca de novos mundos. Admiráveis mundos novos!

 

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