Discernindo e exercendo a vocação com humildade

O que fazer, a que se dedicar, o que atender, seja em relação às tarefas mais simples do dia a dia ou aos grandes projetos da vida? Entender a nossa vocação, ou, se preferir, o nosso chamado, pode ser a chave para lidar com as expectativas “urgentes” e “prioritárias” que aparecem em nossa vida.

Chamado (uso “chamado” e “vocação” aqui como sinônimos) é algo que pode ser entendido de diferentes maneiras. Primeiro, para os que creem, significa uma convocação do Senhor para viver para ele, não só para depois da morte, mas para hoje, para sermos agentes da reconciliação de todas as coisas por meio de Cristo.

Segundo, tem a ver com aquilo que fazemos no cotidiano. Qualquer tarefa – seja o mais prosaico cuidado com a casa, os diversos afazeres ou trabalhos burocráticos – pode e deve ser vista não como um desvio de nossa vocação, mas como uma oportunidade de realizá-la com gratidão, dedicando-a e ofertando-a ao Senhor.

Terceiro, há um sentido de vocação que diz respeito à realização, particular e única de cada pessoa, enfocando a sua vida, dons, talentos e habilidades de maneira a crescer, desenvolver-se e sentir que está cumprindo algo relacionado à sua identidade, com um propósito e sentido para aquilo que o Senhor a chama para fazer no mundo.

(…) Devemos admitir que temos dons e capacidades. Humildade para por reconhecê-los, senão estaríamos falando de outra coisa: a falsa modéstia. O desafio passa por assumir essas habilidades, desejar crescer nelas e ser bons mordomos das capacidades “naturais” ou “espirituais” que recebemos. (…)

Também há aquilo que nos traz prazer e alegria, ou pelo menos deveria trazer. Por isso é importante considerar os nossos interesses. (…). Quer ser um missionário na África, mas não aprecia o clima ou a cultura de lá? Quer servir entre os mais pobres, mas não consegue ficar sem a comida da mamãe ou da vovó? (…) Então, suspeite desse “chamado”.

(…) Com a ajuda do Senhor, do outro e de uma correta percepção de si mesmo, dons e habilidades, necessidades e interesses, conjugados, podem alguma luz e nos ajudar a definir o rumo de nossas vidas!

Ricardo Wesley M Borges
Revista Ultimato – Edição de Julho/ Agosto 2015

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