DIA DOS PAIS

Prof. Antônio de Oliveira
antonioliveira2011@live.com

Muitos pais de mais idade, principalmente, ou já falecidos, não tiveram a oportunidade de acesso aos estudos acadêmicos. Meu pai, meu sogro… No entanto, com a energia da ação, souberam prever possibilidades, prover necessidades, combinar probabilidades, alcançar e transmitir felicidade graças à sua sabedoria de vida.

Letrados ou iletrados, os pais não estão imunes ao vírus da corrupção. Um tributo à condição humana, seara de trigo e de joio, rosas e espinhos, centeio e cizânia. Vale a advertência: Quem está de pé cuide em não cair. Pois, na Ciranda da Bailarina, canta Chico Buarque “Medo de subir, gente / Medo de cair, gente, medo de vertigem quem não tem?”

Pai herói!… O comércio endeusa a figura do pai ou da mãe na sua data comemorativa. Importa, contudo, não superestimar, tampouco subestimar os pais. Não os escolhemos, nem o nosso sexo nem onde nascer. Sequer escolhemos o nosso nome. Projetamos no tempo, dentro dessas limitações, mas também com todas as possibilidades e potencialidades, a fonte de nossa vida. Não respondemos por nossos traços genéticos e culturais. Mas a figura do pai é, sem dúvida, emblemática. “Honrarás pai e mãe”, este é o mandamento.

A todos nós cabe realizar um projeto de vida consistente, pessoal, intransferível. Eu sou eu. Único. Inconfundível. Um livro que não mais se escreve. Uma história de vida, no espaço e no tempo, e na sociedade. Um compositor se circunscreve aos estreitos limites de sete notas musicais. No entanto, pode produzir uma obra-prima inimaginável. Basta ouvir Mozart, Beethoven. Usando apenas as 26 (eram 23) letras do alfabeto, Machado de Assis construiu um monumento literário. Grandes epopeias, e em diversos idiomas, foram compostas, articuladas, escritas por seres humanos como nós: desde a Índia, passando pela Grécia e por Roma, pela Alemanha e pela França, Espanha e Portugal, até o Brasil. Muitas dimensões da paternidade. E pais são muitos. Eu sou um deles.

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